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AM / AC – Extrativistas lutam por regularização fundiária e pela vida em Boca do Acre

UF: AC, AM
Município Atingido: Boca do Acre (AM)
Outros Municípios: Boca do Acre (AM), Rio Branco (AC)
População: Extrativistas
Atividades Geradoras do Conflito: Especulação imobiliária, Pecuária
Impactos Socioambientais: Alteração no regime tradicional de uso e ocupação do território, Falta / irregularidade na demarcação de território tradicional
Danos à Saúde: Falta de atendimento médico, Piora na qualidade de vida, Violência - ameaça, Violência - coação física

Síntese

O seringal Macapá localiza-se no Ramal Cunha Gomes, no município de Boca do Acre, sul do estado do Amazonas, fronteira com o Acre. Segundo o Portal Uol (04/06/2011), o Seringal tem 6 mil hectares, onde habitam 105 famílias de posseiros, que vivem da agricultura e da extração da castanha e látex. O conflito entre as famílias agroextrativistas do Seringal Macapá e o pecuarista/latifundiário Juarez Carlos Brasileiro origina-se diante da falta de regularização fundiária e dos interesses econômicos sobre a terra.

Em 2009, o Programa Terra Legal foi iniciado para acelerar o processo de regularização fundiária na Amazônia Legal. Neste mesmo ano, o pecuarista Juarez Carlos Brasileiro, proprietário da Fazenda Caçula, passou a se definir como proprietário das terras do Seringal e entrou com uma ação de manutenção de posse no Tribunal de Justiça do Amazonas. Segundo o advogado das famílias, Emilson Brasil, o juiz de Boca do Acre, Reyson de Souza, concedeu uma liminar que determinava a retirada de algumas pessoas dos lotes, mas o oficial de justiça que cumpriu o mandado exigiu a saída de todas as famílias do local.

No dia 25 de maio de 2009, o despejo foi realizado com o auxílio de policiais militares e há denúncias de que ocorreu de forma truculenta. Os moradores perderam seus pertences e tiveram que acampar nas margens da BR 317 durante seis meses. Ao longo deste processo, buscaram apoio da Comissão de Legislação Agrária da Assembleia Legislativa do Acre, da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos e da Comissão Pastoral da Terra.

No dia 16 de dezembro de 2009, uma decisão judicial determinou a devolução das terras às famílias. Desde então, elas permanecem nas terras e iniciaram-se as ameaças de morte às lideranças e aos apoiadores desta causa. Em 2011, formaram a Associação de Produtores e Produtoras Rurais de Agroextrativismo do Seringal Macapá, com José Everaldo Vieira Melo na presidência. Enquanto os moradores aguardam o lento processo de regularização das terras, as ameaças e retaliações continuam por parte de pistoleiros e do pretenso dono das terras. Por conta disto, em novembro de 2012, o ouvidor agrário nacional Gercino José da Silva Filho comprometeu-se a solicitar a inclusão de José Everaldo no Programa de Defesa de Defensores de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos e Minorias da Presidência da República (SDHM).

Contexto Ampliado

O seringal Macapá localiza-se no Ramal Cunha Gomes, no município de Boca do Acre, sul do estado do Amazonas, fronteira com o Acre. Segundo reportagem publicada no Portal Uol (04/06/2011), o Seringal possui 6 mil hectares, onde habitam 105 famílias de posseiros, que vivem da agricultura e da extração da castanha e látex. O Seringal situa-se às margens da rodovia BR-317, que estabelece a ligação do município de Boca do Acre com Rio Branco, capital do Acre. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2010, Boca do Acre possuía 30.632 habitantes, distribuídos em 21.951,264 km².

Antônio José Braña, Coordenador Regional Extraordinário de Regularização Fundiária no Acre, informou à reportagem do Instituto Brasileiro de Pesquisa (IEB, s/d) que, na década de 1970, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) chegou à Boca do Acre e arrecadou vários títulos de terra dos seringalistas falidos e de grileiros, que posteriormente foram repassados para os trabalhadores do seringal. Em seguida, o coordenador explicou que, por falta de recursos financeiros e humanos, desde fins da década de 1980 que o INCRA não concedia um título de propriedade em Boca do Acre.

Em 2009, o Programa Terra Legal surgiu para atuar nas terras federais, com exceção das áreas de várzea pertencentes à Superintendência do Patrimônio da União (SPU), e acelerar o processo de regularização fundiária na Amazônia Legal. Este movimento em Boca do Acre entrou em choque com os interesses de pecuaristas e madeireiros, pois cabe destacar que, de acordo com o Blog No Sul do Amazonas, Boca do Acre seria o município com o maior rebanho de gado de corte do Amazonas. É neste contexto de falta de regularização fundiária e interesses econômicos sobre a terra que se origina o conflito fundiário entre as famílias agroextrativistas do Seringal Macapá e o pecuarista/latifundiário Juarez Carlos Brasileiro.

No início de 2009, o pecuarista Juarez Carlos Brasileiro, proprietário da Fazenda Caçula, passou a se definir como proprietário da área ocupada pelas famílias de agroextrativistas, em torno de 600 pessoas. De acordo com o advogado das famílias, Emilson Brasil (Portal Uol, 04/06/2009), Juarez Carlos Brasileiro entrou com uma ação de manutenção de posse sobre a área no Tribunal de Justiça do Amazonas. Segundo o advogado, o juiz de Boca do Acre, Reyson de Souza, concedeu uma liminar que determinava a retirada de algumas pessoas dos lotes. Entretanto, o oficial de justiça que cumpriu o mandado atingiu todas as famílias do local. Desta forma, o advogado Emilson Brasil frisou que o oficial de justiça cumpriu um mandado adverso ao determinado pelo Tribunal.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto Acre, Raimundo Nonato (Portal Uol, 04/06/2009), os policiais militares acionados para auxiliarem no processo de remoção agiram de forma agressiva e desumana com as famílias. Raimundo desabafou: É um absurdo a maneira como fomos tratados, de forma agressiva, como se fôssemos bandidos. As famílias que estão acampadas na divisa do Acre com o Amazonas estão passando frio, fome e até os remédios os policiais levaram embora; estamos sem a menor segurança no local.

O Blog No Sul do Amazonas (02/11/2012) também recordou que todos os posseiros do Seringal Macapá tiveram que sair com a roupa do corpo e tiveram que acampar nas margens da BR 317. De acordo com o blog, cinco dias depois do despejo, os moradores visitaram o local e encontraram suas casas e pertences queimados. Os moradores perderam terçado, foice, espingardas, utensílios domésticos, roupas, criações, a cultura de vários produtos etc.

Mircléia Matos informou no Portal Uol (04/06/2009) que, no mês seguinte ao despejo, representantes das famílias do Seringal Macapá se reuniram com a Comissão de Legislação Agrária da Assembleia Legislativa do Acre. A reunião contou com a presença dos deputados membros da Comissão: Helder Paiva (PR), Zé Carlos (PTN), Moisés Diniz (PC do B), Donald Fernandes (PSDB) e Maria Antonia (PP). Além destes, estiveram presentes o Secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Henrique Corinto; o Presidente do Instituto de Terras do Acre (ITEAC), Felismar Mesquita; o Presidente do STR de Porto Acre, Raimundo Nonato; e o Coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Joselmar Mirando. Em seguida, visitaram a área do conflito os deputados Moisés Diniz (PC do B) e o vice-presidente da Comissão, Zé Carlos (PTN).

O presidente da Comissão Pastoral da Terra em Boca do Acre, Cosme Capistano, afirmou ao Portal Purus (23/04/2011) que o fazendeiro Juarez Carlos Brasileiro só possuía o registro oficial de nove mil hectares de terras, mas se dizia dono de 15 mil. Segundo o agente pastoral, os outros seis mil hectares, correspondentes à área habitada pelos posseiros, poderiam ser frutos de grilagem, e, por isso, seriam ilegais e não fariam parte do patrimônio do pecuarista. A reportagem também informou que, após as famílias terem passado mais de seis meses acampadas na beira da estrada, uma decisão judicial de 16 de dezembro de 2009 devolveu a posse das terras às famílias, que retornaram imediatamente.

A reportagem do Portal Purus (06/06/2011) denunciou que o agente da CPT, Cosme Capistano da Silva, começou a sofrer ameaças de morte a partir de dezembro de 2009. Na reportagem, Cosme informou que pediram para ele se afastar da luta a favor dos agricultores do seringal Macapá, se ele quisesse viver. Cosme Capistano recebeu novas ameaças no dia 03 de junho de 2011, quando recebeu ligação de número desconhecido pedindo para ele avisar aos seus companheiros que já tinham morrido pessoas no Pará e em Rondônia, e os próximos seriam no Amazonas e no Acre. Cosme deduziu que o recado destinava-se à Boca do Acre, por ele estar a favor dos pequenos agricultores do local.

Conforme reportagem divulgada pelo Jus Brasil (16/06/2011), em junho de 2011 ocorreu mais uma ameaça a Cosme e também à coordenadora da CPT no Acre, Darlene Braga. De acordo com o funcionário da CPT, Célio Lima, um homem não identificado ligou para o telefone da CPT em Rio Branco e disse para ele: Avise aos seus amiguinhos Darlene e Cosme que eles estão na lista.

Na reportagem do Portal Purus (06/06/2011), Cosme afirmou que não vai desistir da luta pelos povos que dependem da terra. Ao final, destacou: Espero que o governo faça a legalização fundiária, pois tudo isso que acontece é a falta da regularização fundiária, já que 90% das terras de Boca do Acre não são regularizadas; é por isso que acontecem os conflitos.

Na reportagem do Jus Brasil também foi informado que, no dia 16 de junho de 2011, os representantes da CPT denunciaram ao Ministério Público Federal do Acre (MPF-AC) as ameaças sofridas, solicitando ao órgão investigação sobre o caso. O procurador da República Ricardo Gralha Massia informou que foi instaurado um procedimento administrativo para apurar as ameaças e as causas do conflito agrário.

No dia 18 de junho de 2011, o Portal Purus noticiou que as famílias do Seringal Macapá, representadas pela Associação de Produtores e Produtoras Rurais de Agroextrativismo do Seringal Macapá (APRACEMA), tiveram uma audiência com o Ministério Público Federal, em Boca do Acre, com o objetivo de denunciar as ações do latifundiário Juarez Carlos Brasileiro. Em relação ao sumiço dos bens após o despejo ocorrido em 2009, o presidente da associação, José Everaldo Vieira Melo, de 44 anos, disse à reportagem: Fomos pegos de surpresa: quando vimos, a PM já estava lá com o documento, dizendo que tínhamos que desocupar as terras; saímos apenas com a roupa do corpo e nossos pertences, até agora, ninguém sabe onde estão. O fazendeiro diz que os objetos estão guardados em um galpão, mas nunca vimos.

Ao final da reportagem, José Everaldo anunciou: O fazendeiro se achou no direito de praticamente fechar o ramal, desrespeitando o marco fixado pelo INCRA. Nós não temos como passar com a nossa produção e estamos prejudicados pr isso, sem contar que vivemos constantemente ameaçados de agressões físicas e até de morte. Queremos viver em paz, poder produzir, consumir e vender, criar nossos filhos e ter uma vida digna.

Ainda segundo a reportagem do Portal Purus, informou-se que a prefeita de Boca do Acre, Maria das Dores Oliveira Munhoz, visitou o seringal Macapá e ordenou que fosse construída uma escola para atender as crianças. Após a construção, a escola municipal recebeu o nome de Professor João Batista. Além disso, destacou um Agente Comunitário de Saúde para levar o serviço para as 65 famílias que atualmente residem no local do conflito.

No dia 07 de dezembro de 2011, a presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) de Boca do Acre, Luzia Santos Silva, enviou uma carta ao Ouvidor Agrário Nacional, Gercino da Silva Filho, denunciando as ameaças aos moradores do seringal Macapá e a José Everaldo Vieira Melo. De acordo com o documento, o presidente da APPRACEMA foi procurado por dois homens em sua casa no dia 04 de novembro de 2011. Ele os convidou para a reunião da Associação para conversarem e recebeu como resposta que se preparasse, porque, se eles viessem, viriam fortemente armados para a reunião, pois eles sabiam como resolver o problema. No dia da reunião, os moradores relataram que os dois homens foram às casas de dois moradores que também sofriam ameaças, quebraram seus pertences e colocaram cruzes nos locais.

Outra denúncia divulgada na carta tratava de uma tentativa de emboscada destinada a José Everaldo no dia 26 de novembro de 2011. Consta que ele recebeu um convite para participar de uma reunião na casa do senhor Chico Izaias, irmão de Raimundo Nonato (vulgo Raimundo do IBAMA), mas, como percebeu que era uma cilada, não compareceu. Em resposta às ameaças, os moradores registraram Boletim de Ocorrência na Delegacia de Boca do Acre e procuraram apoio das instituições parceiras, tais como: Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) de Boca do Acre; Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Porto Acre (STTR).

De acordo com a reportagem do Portal Purus (13/06/2012), no dia 07 de junho de 2012, o fazendeiro Juarez Brasileiro modificou a posição da cerca de arame de sua propriedade de 5 metros de largura para um metro. Os extrativistas utilizavam a passagem diariamente para entrar e sair da comunidade com produtos e mercadorias há mais de 14 anos. Como os moradores se viram impedidos de trafegar livremente depois do estreitamento do ramal, resolveram colocar a cerca no local anterior. Logo em seguida, oito policiais militares chegaram ao local e, segundo os moradores, se posicionaram claramente em defesa do fazendeiro Juarez Brasileiro. Os moradores denunciaram à reportagem a truculência e o abuso de autoridade da PM na ação.

Em relação à atuação dos policiais militares, o professor da comunidade Jonas Oliveira informou ao Portal Purus: Eles diziam que foram lá para levar alguém preso. Então perguntamos a respeito do mandado, e disseram que não precisava. E imediatamente sacou uma algema e investiu contra um companheiro e, neste momento, o filho saiu em defesa e disse que não levariam seu pai; o clima esquentou e sua irmã também se manifestou em defesa de ambos, e levou um empurrão de um dos policiais. Além disso, os moradores relataram que os policiais levaram os instrumentos de trabalho dos agricultores e extrativistas que estavam no local. Somente no dia 07 de junho que os mesmos foram devolvidos para os trabalhadores.

O Instituto de Estudos Brasileiros informou que, no dia 31 de agosto de 2012, foi realizada uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Boca do Acre que iniciou os trabalhos do Programa Terra Legal, cujo objetivo seria a regularização de 3.340 quilômetros de terras federais. Na ocasião, Antônio José Braña, Coordenador Regional Extraordinário de Regularização Fundiária no Acre, descreveu em seu relatório a situação fundiária das glebas do município, concluindo que o Terra Legal e demais órgãos governamentais possuíam uma dívida histórica com as famílias do lugar.

O Blog Altino Machado divulgou, no dia 01 de setembro de 2012, que a Coordenadora da CPT no Acre, Darlene Braga, resolveu se afastar do cargo após sofrer novas ameaças de morte. Ela informou que, no mês de agosto, o escritório da CPT em Rio Branco sofreu duas invasões. Na primeira, objetos foram revirados, mas nada foi levado e, na segunda invasão, além de desarrumarem tudo, levaram R$ 583,00. A coordenadora alegou à reportagem: É uma ameaça velada e vou me ausentar do Acre por um tempo para preservar a minha vida.

O Blog No Sul do Amazonas (02/11/2012) noticiou que a Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo (CNVC) foi até o município de Boca do Acre no dia 26 de setembro para discutir e buscar soluções para os conflitos de terra no sul do Amazonas. No evento, o presidente da Associação do Seringal Macapá, José Everaldo Vieira Melo, relatou a violenta realidade vivida pelas lideranças comunitárias juradas de morte no sul do Amazonas. A representante do Conselho Nacional de Populações Extrativistas (CNS), Luzia Santos da Silva, entregou aos membros da comissão um relatório intitulado Conflitos Fundiários, Violência e Ameaça aos Direitos Humanos no Sul do Amazonas, e denunciou os pecuaristas que estavam se apossando de terras públicas na região. Na audiência pública da CNCV, os moradores do Seringal Macapá reivindicaram a desapropriação da área da fazenda Caçula e a sua destinação para a regularização fundiária pelo Programa Terra Legal.

De acordo com a notícia do Blog, o Procurador Regional da República, José Elaeres Teixeira, sugeriu o agendamento de uma reunião extraordinária da comissão em Manaus para se esclarecer a real situação fundiária dessa área em conflito. O procurador destacou: A gente vê aqui um desencontro de informações entre os órgãos. Qual o encaminhamento que deve ser dado para esses trabalhadores rurais regularizarem suas terras? Da forma como está não vislumbro nenhum tipo de solução.

Ao final da audiência, o presidente da CNVC, o ouvidor agrário nacional Gercino José da Silva Filho, comprometeu-se a solicitar a inclusão de José Everaldo no Programa de Defesa de Defensores de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos e Minorias da Presidência da República (SDHM).

Cronologia

Década de 1970: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) chega em Boca do Acre e arrecada vários títulos de terra dos seringalistas falidos e grileiros para repassar aos trabalhadores do seringal.

Década de 1980: Registro do último título de propriedade concedido pelo INCRA em Boca do Acre.

2009: Programa Terra Legal surge para atuar nas terras federais e acelerar o processo de regularização fundiária na Amazônia Legal.

2009: Fazendeiro Juarez Carlos entra com uma ação de manutenção de posse sobre a área do Seringal Macapá no Tribunal de Justiça do Amazonas. O Juiz de Boca do Acre, Reyson de Souza, determina que algumas pessoas sejam afastadas dos lotes. O oficial de justiça cumpre um mandado adverso ao do Tribunal do Amazonas, atingindo todas as famílias do local.

25 de maio de 2009: 105 famílias do Seringal Macapá sofrem a desapropriação de suas terras com auxílio de policiais militares.

30 de maio de 2009: Moradores voltam para buscar pertences deixados na área do Seringal e encontram casas e objetos queimados.

Junho de 2009: Deputado Moisés Diniz (PC do B) e o vice-presidente da Comissão de Legislação Agrária da Assembleia Legislativa, Zé Carlos (PTN), visitam a área do conflito.

03 de junho de 2009: Comissão de Legislação Agrária da Assembleia Legislativa reúne-se com representantes das famílias despejadas do Seringal Macapá.

25 de maio de 2009 a 17 de novembro de 2009: Moradores do Seringal Macapá se abrigam em lonas às margens da BR 317.

Dezembro de 2009: Cosme Capistano da Silva, morador do municípi de Boca do Acre e agente da Comissão Pastoral da Terra, sofre ameaças de morte por estar à frente nos conflitos de terra do seringal Macapá.

16 de dezembro de 2009: Decisão judicial devolve as terras para os posseiros, que pedem a desapropriação da área ocupada pela Fazenda Caçula.

2011: José Everaldo Vieira Melo, 44 anos, é eleito presidente da associação de produtores e produtoras rurais de agroextrativismo do seringal Macapá.

03 de junho de 2011: Cosme Capistano da Silva sofre nova ameaça de morte via celular.

18 de junho de 2011: 10 moradores do Seringal Macapá participam de audiência com o Ministério Público.

Novembro de 2011: Fórum de Desenvolvimento Sustentável de Boca do Acre organiza o seminário Debatendo a Regularização Fundiária em Boca do Acre, com a presença de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto de Terras do Amazonas (ITEAM), Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e Terra Legal.

04 de novembro de 2011: José Everaldo Vieira Melo é ameaçado de morte por dois pistoleiros.

26 de novembro de 2011: Everaldo recebe um convite para participar de uma reunião na casa do senhor Chico Izaias, irmão de Raimundo Nonato (vulgo Raimundo do Ibama), mas trata-se de uma emboscada e ele não comparece. Moradores registram Boletim de Ocorrência na Delegacia de Boca do Acre e procuram instituições parceiras, tais como: Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) de Boca do Acre; Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR).

07 de dezembro de 2011: Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) de Boca do Acre envia carta ao Ouvidor Agrário Nacional, Gercino da Silva Filho, denunciando as ameaças aos moradores do seringal Macapá e a José Everaldo Vieira Melo.

07 de junho de 2012: Fazendeiro Juarez Brasileiro modifica a posição da cerca de arame de sua propriedade e impede o tráfego dos moradores do Seringal Macapá com produtos e mercadorias. Moradores reagem e colocam a cerca no local ocupado há mais de 14 anos. Oito policiais militares chegam e reagem de forma truculenta com os moradores. Policiais levam ferramentas de trabalho dos moradores.

12 de junho de 2012: Equipamentos de trabalho apreendidos no dia 07 de junho são devolvidos para os posseiros.

19 de junho de 2012: Realização de audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, para discutir os conflitos agrários no Amazonas.

06 de julho de 2012: Moradores do Seringal Macapá acampam na sede do INCRA.

31 de agosto de 2012: Realização de audiência pública na Câmara de Vereadores de Boca do Acre para dar início aos trabalhos do Programa Terra Legal para a regularização de 3.340 quilômetros de terras federais.

01 de setembro de 2012: Coordenadora da CPT no Acre, Darlene Braga, resolve se afastar do cargo após sofrer ameaças de morte.

26 de setembro de 2012: Durante a 383ª reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo (CNVC), no município de Boca do Acre, o produtor rural e extrativista José Everaldo Vieira Melo relata a violenta realidade vivida pelas lideranças comunitárias juradas de morte no sul do Amazonas.

Fontes

BLOG NO SUL DO AMAZONAS. Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo foi à Boca do Acre discutir e buscar soluções para os conflitos de terra no sul do Amazonas. S/l, 02 nov. 2012. Disponível em: http://goo.gl/MDeZpE. Acesso em: 22 jan. 2012.

COMBATE RACISMO AMBIENTAL. Carta ao Ouvidor Agrário Nacional denuncia ameaças de morte em Boca do Acre. Rio de Janeiro, 08 dez. 2011. Disponível em: http://goo.gl/Tue4mI. Acesso em: 22 jan. 2014.

INSTITUTO DE ESTUDOS BRASILEIROS (IEB). Muita luta e uma conquista em Boca do Acre: Terra Legal inicia regularização fundiária em Boca do Acre prometendo cerca de mil títulos de propriedade para agricultores e extrativistas. S/l, S/d. Disponível em: http://goo.gl/vTT0We. Acesso em: 26 jan. 2014.

JARDIM, Arison. Seringal Macapá: o dia a dia de uma floresta habitada. S/l, 27 jul. 2013. Disponível em: http://goo.gl/vDuxw1. Acesso em: 22 jan. 2014.

MACHADO, Altino. Coordenadora da CPT no Acre denuncia invasão e ameaças a seus agentes. CONTINET NOTÍCIAS, Rio Branco-AC, 01 set. 2012. Disponível em: http://goo.gl/eCqMLN. Acesso em: 25 jan. 2014.

MATOS, Mircléia. Comissão Agrária da Aleac recebe famílias despejadas do seringal Macapá. PORTAL UOL, Rio Branco-AC, 04 jun. 2009. Disponível em: http://goo.gl/Wl5mqY. Acesso em: 24 jan. 2014.

PORTAL PURUS. Moradores do seringal Macapá oferecem denúncia contra fazendeiro ao Ministério Público. Boca do Acre AM, 18 jun. 2011. Disponível em: http://goo.gl/A2pVQd. Acesso em: 22 jan. 2014.

_______. Moradores do Seringal Macapá acusam policiais militares de truculência e abuso de autoridade. Boca do Acre AM, 13 jun. 2012. Disponível em: http://goo.gl/ZYjk1T. Acesso em: 22 jan. 2014.

______. Conflitos de terras em Boca do Acre: Cosme Capistano diz que está sendo ameaçado de morte. S/l, 06 jun. 2011. Disponível em: http://goo.gl/2Mrg0r. Acesso em: 24 jan. 2014.

______. Famílias que viveram por seis meses debaixo de lonas às margens da BR 317, voltam a produzir em suas terras no Ramal Cunha Gomes. S/l, 23 abr. 2011. Disponível em: http://goo.gl/4yzylT. Acesso em: 25 jan. 2014.

PREFEITURA DE BOCA DO ACRE-AM. História. Boca do Acre, s/d. Disponível em: http://goo.gl/3fMBzS. Acesso em: 25 jan. 2014.

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