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RR – Povos indígenas da Serra da Lua lutam contra impactos negativos da monocultura de acácias no entorno de suas terras

UF: RR
Município Atingido: Bonfim (RR)
Outros Municípios: Bonfim (RR), Cantá (RR)
População: Povos indígenas
Atividades Geradoras do Conflito: Agrotóxicos, Madeireiras, Monoculturas
Impactos Socioambientais: Alteração no regime tradicional de uso e ocupação do território, Assoreamento de recurso hídrico, Erosão do solo, Falta / irregularidade na autorização ou licenciamento ambiental
Danos à Saúde: Piora na qualidade de vida

Síntese

A Acacia mangium é uma espécie vegetal nativa do noroeste da Austrália, de Papua Nova-Guiné e do oeste da Indonésia. Por conta do seu rápido crescimento é muito valorizada pela indústria madeireira. No ano de 1998, a empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA) iniciou os primeiros plantios comerciais desta espécie nas cidades de Boa Vista, Bonfim, Cantá e Alto Alegre.

A partir de 2008, 2/3 das ações da Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda foram compradas pelo F.I.T Timber Growth Fund, um Fundo de Investimento aberto que tem o propósito de investir em negócios voltados para a exploração de florestas naturais e plantações, abrangendo também o processo posterior de venda dos produtos. Com isto, a empresa passou a se chamar FIT (Forrestry Investment Fund) Manejo Florestal do Brasil Ltda.

Os municípios onde foram instaladas as plantações de acácia possuem a vegetação característica dos Lavrados, que abrange os campos naturais, tipo savana. A maior concentração situa-se nos municípios de Cantá e Bonfim, com 20 mil ha ocupados por esta monocultura.

Bonfim e Cantá abrangem a região denominada por Serra da Lua, a segunda maior em ocupação indígena de todo o estado de Roraima. Nesta região predomina a ocupação dos Wapixana, de família linguística Aruák, e dos Makuxi, de família linguística Karíb. Parte da plantação de acácia encontra-se no entorno das Terras Indígenas Malacacheta, Canauanim, Tabalascada, Moskow e Muriru.

A partir de 2003, as lideranças indígenas começaram a denunciar diversos problemas advindos pela introdução desta monocultura nas proximidades de suas terras. Destaca-se a grande absorção de água, provocando o assoreamento de rios; o uso de agroquímicos, utilizados para controle de pragas, fungos, formigas e ervas daninhas; e, a concentração de abelhas nos buritizais, prejudicando o uso tradicional.

Estas denúncias coincidem com alertas de ambientalistas locais e indicações de estudos, como os realizados por técnicos do Instituto de Pesquisa do Amazonas (INPA). De acordo com estes técnicos do INPA, a plantação de acácia promove alterações na cobertura natural da região e provoca mudanças nas características do solo, alterando o equilíbrio dinâmico dos Lavrados.

O caso da plantação de acácia no entorno de TIs em Roraima é apenas uma das constantes ameaças que os territórios tradicionais indígenas sofrem na região. Recentemente, divulgou-se amplamente pelos meios de comunicação, a luta pela homologação e pela desintrusão de arrozeiros da TI Raposa Serra do Sol, situada próxima ao município de Bonfim.

Contexto Ampliado

Roraima é um dos estados com mais áreas demarcadas como indígenas do Brasil, cobrindo 46,37% do território total, com 104.018,00 km². De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), a ocupação indígena no estado divide-se em duas grandes regiões: Roraima Mata e Roraima Serra e Lavrado.

O conflito envolvendo a plantação de acácia Mangium no entorno de Terras Indígenas situa-se na região dos Lavrados, que abrange os campos naturais, tipo Savana. Os Lavrados situam-se em terras altas e estendem-se até as fronteiras do Brasil com a Venezuela e a Guiana. O marco divisório entre estes três países é o Monte Roraima, denominação que vem do Yanomami e significa monte verde.

Uma das sub-regiões do Lavrado é a Serra da Lua, considerada a segunda maior em ocupação indígena de todo o estado de Roraima. Nesta região predomina a ocupação dos Wapixana, de família linguística aruák, e dos Makuxi, de família linguística karíb. Estes povos distribuem-se pelas Terras Indígenas de Bonfim e Cantá, tais como Bom Jesus, Canauanim, Jabutí, Jacamin, Malacacheta, Manoá Pium, Moskow, Muriru e Tabalascada. Na maioria dos casos, os Wapixana e os Macuxi dividem entre si o território.

Serra da Lua situa-se entre o rio Branco e o rio Tacutu, afluente do primeiro e divisa natural entre o município de Bonfim e a República Federativa da Guiana e abrange os municípios de Bonfim e Cantá.

Bonfim fazia parte de Boa Vista até ser elevado a município através da Lei nº7009, de 1 de julho de 1982. O município situa-se a aproximadamente 125 km da capital. A parte oeste faz fronteira também com Cantá. Ao norte, faz divisa com o município de Normandia e ao sul, com o município de Caracaraí. Na parte leste, o rio Tacutu estabelece a fronteira entre o município e a Guiana, como referido anteriormente. Em 1995, parte dos territórios de Bonfim e de Caracaraí foram desmembrados para formar o atual município de Cantá.

Segundo o Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Cantá é 5º cidade mais populosa de Roraima, com 13.902 habitantes em uma área de 7.665 km². Bonfim ocupa a 6º posição, com 10. 951 habitantes distribuídos em 8.095km².

A principal atividade econômica dos municípios de Cantá e Bonfim é a agropecuária, destacando-se a produção de arroz irrigado, gado de corte, mandioca, milho, banana, abacaxi, etc. Já na capital, Boa Vista, a economia baseia-se no setor de serviços. Contudo, deve-se destacar que o setor industrial da capital de Roraima tem a madeira como principal produto de exportação.

A plantação da acácia Mangium insere-se no setor da indústria madeireira. A acácia é uma espécie vegetal muito valorizada por este setor devido ao seu rápido crescimento. É uma espécie nativa do noroeste da Austrália, de Papua Nova-Guiné e do oeste da Indonésia.

Esta espécie foi introduzida no estado de Roraima no ano de 1995 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Entre os anos 1997 e 1998, o suíço Walter Vogel instalou a empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda. (OVA) no estado e iniciou os primeiros plantios comerciais.

O objetivo deste empreendimento é a venda de madeira serrada e produtos semiacabados no mercado internacional. Com este objetivo, a empresa também instalou uma filial, denominada Ouro Verde Florestal Management Ltda. Esta filial é responsável pela administração das empresas Madeireira Vale Verde Ltda. e Mangium Wood Serraria Ltda, situadas no município de Cantá.

De acordo com informações divulgadas pela empresa, a área total do empreendimento é de 80.866,5 ha, que se distribuem pelos municípios de Boa Vista, Bonfim, Cantá e Alto Alegre. Desta área, aproximadamente 30 mil ha são destinados à plantação de acácia, mas a maior parte concentra-se nos municípios de Cantá e Bonfim (20 mil ha). Estas plantações situam-se próximo às Terras Indígenas Malacacheta, Canauanim, Tabalascada, Moskow e Muriru.

A partir de 2008, a empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA) passou a se chamar FIT (Forrestry Investment Fund.) Manejo Florestal do Brasil Ltda. O grupo empresarial que comprou 2/3 das ações da OVA faz parte de um Fundo de Investimento aberto, denominado F.I.T Timber Growth Fund, no qual participam bancos, fundos de pensão, investimentos institucionais e etc. O propósito deste fundo é investir em negócios que envolvem a exploração de florestas naturais e plantações, abrangendo também o processo posterior de venda dos produtos.

A empresa FIT Manejo Florestal assumiu uma parceria com a Associação Setentrional dos Apicultores de Roraima (ASA), na qual parte da produção de mel é da acácia, proveniente das plantações da empresa. Esta produção também recebeu o apoio do governo estadual, com a doação de um prédio a ser utilizado para a industrialização da produção.

Empresários locais também estudavam a possibilidade de aproveitamento da acácia para alimentar uma fábrica de polpa de celulose, cuja instalação estava sendo cogitada para os municípios de Boa Vista ou de Mucajaí.

Em 2002, ainda sob a gestão da empresa Ouro Verde, foi elaborado um Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/RIMA) do empreendimento. Além disso, foi marcada uma audiência pública para 13 de novembro daquele ano com intuito de discutir os resultados destes estudos com a população local.

Dias antes da audiência pública, lideranças indígenas da Região Serra da Lua no Município de Cantá convidaram técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), de Roraima, para discutir os possíveis impactos das plantações de acácia sobre terras e comunidades indígenas próximas.

A visita ocorreu no dia 05 de novembro de 2002, na comunidade Malacacheta, onde se realizava a assembleia regional do Conselho Indígena de Roraima (CIR). Na ocasião, os indígenas tomaram conhecimento de alguns problemas ambientais gerados pelas plantações. Um destes é causado pela grande absorção de água que pode provocar o assoreamento de rios. Outro é relativo ao uso de agroquímicos, utilizados para controle de pragas, fungos, formigas e ervas daninhas. De acordo com os técnicos do INPA, a plantação de acácia promove alterações na cobertura natural da região e provoca mudanças nas características do solo, alterando o equilíbrio dinâmico dos Lavrados.

No dia 13 de novembro de 2002, ocorreu a audiência pública sobre o relatório de impacto ambiental do empreendimento Ouro Verde Agrossilvopastoril. Nesta ocasião, o relatório recebeu duras críticas, em especial no que tange aos impactos sobre o meio ambiente e as comunidades indígenas. Ao final, determinou-se que a empresa executasse os Programas Básicos Ambientais (PBA).

Entre os dias 5 e 8 de fevereiro de 2003, ocorreu a 32ª Assembleia Geral dos Tuxauas, intitulada Os Povos Indígenas e Respeito ao Meio Ambiente. Este evento aconteceu na aldeia Pium, região do Taiano, município de Alto Alegre e contou com a participação de 744 lideranças indígenas (pertencentes aos povos Ingaricó, Macuxi, Taurepang, Sapará, Sanumá, Wapichana, Wai Wai, Yekuna, Yanomami) e da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COAIB).

A carta produzida pelo evento foi o primeiro registro encontrado em que os indígenas declararam oposição à plantação de acácia nas proximidades e no interior de suas terras. Além disso, os indígenas denunciaram que a implantação do projeto havia começado antes da aprovação do relatório de impacto ambiental.

Entre os dias 05 e 08 de outubro de 2003, ocorreu em Boa Vista o I Seminário Etno-Ambiental Indígena de Roraima, intitulado Os Povos Indígenas Respeitam o Meio Ambiente. Neste evento, os indígenas produziram uma carta aberta às autoridades, na qual repudiaram os plantios de acácia em Roraima e definiram esta prática como ameaça à biodiversidade. Por conta disto, condenaram o patrocínio da Empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril à Pré-Conferência Nacional do Meio Ambiente em Roraima.

Os indígenas também criticaram o fato da sociedade local não ter sido suficientemente esclarecida sobre os prejuízos ambientais e humanos que o empreendimento traria ao povo de Roraima. Além disso, os indígenas demonstraram que se sentiam agredidos pelo governo do Estado, que apoia empreendimentos que já teriam recursos para produzir. Um destes casos denunciados pelos indígenas refere-se ao Empreendimento Ouro Verde. As lideranças indígenas destacaram: uma só pessoa, o Suíço, plantou um monte de acácias, próximo de terras indígenas, tomando o espaço de outros, com o apoio do governo do Estado.

Em 2006, ocorreu a 35ª Assembleia dos Povos Indígenas do Estado de Roraima. Na carta produzida pelo evento, os indígenas denunciaram que as plantações de acácia no entorno das terras indígenas estavam causando problemas nas comunidades, especialmente nas TIs Malacacheta, Tabalascada e Canauanim. Segundo o documento, os poucos igarapés que existem nestas localidades estariam secando.

Outro problema destacado na 35ª Assembleia foi a questão das abelhas criadas nas plantações de acácias. Os indígenas estariam sofrendo ataques próximo aos buritizais e por conta disto, já não seria mais possível a realização das atividades extrativas de alguns buritizais.

Deve-se destacar que a extração do buriti é uma importante atividade produtiva desenvolvida pelos Wapixana e Macuxi. De acordo com os estudos realizados por pesquisadores do INPA (2010), foram encontrados 33 tipos de uso dos buritizeiros pelos indígenas da região da Serra da Lua. Os indígenas aproveitam as palhas, os frutos e as raízes dos buritizais. As palhas, por exemplo, costumam ser usadas para cobertura das malocas e na confecção de artesanato. Dos frutos, fazem óleo para culinária, bolos, farinha, etc. Das raízes, tiram água para beber e remédios. Por conta destas questões de seca de igarapés e enxames de abelhas, os indígenas reivindicaram a realização de um estudo específico de impacto ambiental das acácias nos entorno das terras indígenas.

Na reportagem do Roraima Hoje, de Aroldo Pinheiro (20/09/2010), outro problema em relação às plantações de acácia foi trazido à tona. Desta vez, foram os ambientalistas que demonstraram preocupação com a invasão desta espécie na vegetação nativa, em especial as savanas e os buritizais. Em relação a esta questão, a empresa F.I.T. alega a realização de um plano piloto para controlar a invasão da espécie e o apoio a um projeto de pesquisa relacionado ao tema.

No dia 27 de setembro de 2010, o defensor público Jaime Brasil Filho publicou no Blog SOS Rios do Brasil que vários ambientalistas já teriam alertado sobre a falta de estudos prévios em relação às ameaças aos lençóis freáticos e à dispersão sem controle da espécie. Segundo o defensor, as acácias teriam infestado o Lavrado e tornando-se um enorme prejuízo a este ecossistema. Jaime Filho denunciou que as plantações estavam praticamente abandonadas. Segundo ele, em quase todas as árvores havia contaminação por fungos que matam as plantas, enquanto algumas foram consumidas pelo fogo. Jaime Filho alertou que esta situação estava formando um imenso cemitério de árvores. Ao final, o defensor público questionou: Quem pagará por isso Quem demandará a empresa responsável Alguma autoridade tomará as providências para recuperar o nosso patrimônio natural Quantos continuarão fingindo que está tudo certo

O Blog Combate ao Racismo Ambiental (15/05/2012) divulgou o documento final do seminário preparatório para a Conferência Rio+20, ocorrido na cidade de Boa Vista, entre os dias 28 e 29 de abril de 2012. O evento intitulado a salvação do Planeta está na sabedoria ancestral e na mobilização dos povos contou com a participação de vários segmentos dos movimentos sociais do estado, em especial os povos indígenas, mulheres, jovens, pescadores, trabalhadores rurais e urbanos.

O problema envolvendo a plantação de acácias apareceu em diversas partes do documento produzido neste seminário. Na seção Energia e Indústrias Extrativistas, discutiu-se a questão dos impactos ambientais e socioculturais destes empreendimentos aos segmentos indígenas. Observou-se que empreendimentos deste porte, representam a vontade de empresários, que são os maiores beneficiados, contra os interesses e o bem-estar das populações próximas. Destacou-se ainda a necessidade dos benefícios e dos problemas serem distribuídos por igual na sociedade, de forma que rompa com o modelo no qual os ganhos ficam concentrados com poucos, e os impactos negativos distribuídos entre os mais pobres. Em relação ao empreendimento, o movimento indígena propôs ao final do seminário a redução das plantações de acácias, assim como a criação de legislação voltada para o monitoramento e controle de tais cultivos.

Os problemas e conflitos socioambientais causados pela plantação de também foram diagnosticados por pesquisadores do Projeto da Nova Cartografia Social, desenvolvido por um núcleo de Antropologia da Universidade Federal da Amazônia (UFAM). Entre os dias 27 de fevereiro e 01 de março de 2013, ocorreu na Universidade Federal de Roraima, em Boa Vista, o Encontro Regional deste Projeto, intitulado Mapeamento Social como instrumento de gestão territorial contra o desmatamento e a devastação: processos de capacitação de povos e comunidades tradicionais.

Este evento contou com a participação de trabalhadores rurais de Caracaraí e lideranças das comunidades indígenas Malacacheta, Tabalascada, Canauani, São Domingos, Moscow, Barata, Muriru, Sabiá, Bouqueirão, Livramento, Serra do Truaru e Serra da Moça. Também estiveram presentes, representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Organização dos Indígenas da Cidade, Instituto Insikiran e Núcleo de Estudos Afrocentrado.

O objetivo do encontro foi apresentar os resultados da pesquisa sobre os conflitos ambientais e fundiários de Roraima observados durante o ano de 2012. Após a apresentação, os participantes selecionaram dois conflitos que merecem ser mapeados. Um deles é o caso da plantação de acácias no entorno de Terras Indígenas.

Este caso em Roraima é apenas uma das constantes ameaças que os territórios tradicionais indígenas sofrem na região. Recentemente, divulgou-se amplamente pelos meios de comunicação, a luta pela homologação da TI Raposa Serra do Sol, localizada próxima ao município de Bonfim.

Cabe destacar que desde a história de formação do estado de Roraima, os territórios indígenas são disputados e usurpados para fins econômicos e políticos diversos. O custo deste processo foi bem alto para os grupos indígenas, no qual muitos foram dizimados e tiveram suas estruturas sociais transformadas. Contudo, esta mesma história apresenta a resistência indígena, que desde a colonização defende-se de projetos voltados para a exploração da natureza e dos próprios índios. Nos dias atuais, esta resistência se expressa através da grande mobilização e fortalecimento de movimentos voltados aos direitos indígenas, que encontram-se articulados com universidades, igrejas e demais movimentos sociais.

Cronologia

1995 – Embrapa introduz a espécie acácia Mangium em Roraima de forma experimental.

1998 – Instalação do empreendimento Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA) nos municípios de Boa Vista, Bonfim, Cantá e Alto Alegre.

2002 – Elaborado o Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/RIMA) do empreendimento Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda.

05 de novembro de 2002 – Visita de técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) à comunidade Malacacheta, para discutir os possíveis impactos das plantações de acácias sobre terras e comunidades indígenas próximas.

11 de novembro de 2002 – INPA publica nota preliminar sobre impactos das plantações de Acacia mangium Wild. sobre terras e populações indígenas de Roraima com objetivo de dar subsídios à audiência pública.

13 de novembro de 2002 – Realização da audiência pública para debater o relatório de impacto ambiental. O relatório recebe duras críticas sobre aos impactos ao meio ambiente e às comunidades indígenas. Determina-se a realização dos Programas Básicos Ambientais (PBA).

5 e 8 de fevereiro de 2003 – Realização da 32ª Assembleia Geral dos Tuxauas, intitulada Os Povos Indígenas e Respeito ao Meio Ambiente. Este evento aconteceu na aldeia Pium, região do Taiano, município de Alto Alegre. Declarara-se oposição à plantação de acácia nas proximidades e no interior das TIs.

05 e 08 de outubro de 2003 – Realização do I Seminário Etno-Ambiental Indígena de Roraima, intitulado Os Povos Indígenas Respeitam o Meio Ambiente. Os indígenas repudiam os plantios de acácia mangium em Roraima e definem esta prática como ameaça à biodiversidade.

2006 – Realização da 35ª Assembleia dos Povos Indígenas do Estado de Roraima. Os indígenas alertam sobre ataques de abelhas próximo aos buritizais, inviabilizando as atividades extrativas tradicionais.

2008 – A empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA) passa a se chamar Forrestry Investment Fund (F.I.T.) – Manejo Florestal do Brasil Ltda.

28 e 29 de abril de 2012 – Ocorre na cidade de Boa Vista o Seminário A salvação do Planeta está na sabedoria ancestral e na mobilização dos povos, como preparatório para a Conferência Rio+20. O problema envolvendo a plantação de acácia apareceu em diversas partes do documento produzido neste seminário.

27 de fevereiro e 01 de março de 2013 – Realização do Encontro Regional do Projeto Mapeamento Social como instrumento de gestão territorial contra o desmatamento e a devastação: processos de capacitação de povos e comunidades tradicionais, na cidade de Boa Vista. No evento deliberou-se que será mapeado o conflito envolvendo a acácia no entorno de TIs.

Cronologia

1995 – Embrapa introduz a espécie acácia Mangium em Roraima de forma experimental.

1998 – Instalação do empreendimento Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA) nos municípios de Boa Vista, Bonfim, Cantá e Alto Alegre.

2002 – Elaborado o Estudo e Relatório de Impactos Ambientais (EIA/RIMA) do empreendimento Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda.

05 de novembro de 2002 – Visita de técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) à comunidade Malacacheta, para discutir os possíveis impactos das plantações de acácias sobre terras e comunidades indígenas próximas.

11 de novembro de 2002 – INPA publica nota preliminar sobre impactos das plantações de Acacia mangium Wild. sobre terras e populações indígenas de Roraima com objetivo de dar subsídios à audiência pública.

13 de novembro de 2002 – Realização da audiência pública para debater o relatório de impacto ambiental. O relatório recebe duras críticas sobre aos impactos ao meio ambiente e às comunidades indígenas. Determina-se a realização dos Programas Básicos Ambientais (PBA).

5 e 8 de fevereiro de 2003 – Realização da 32ª Assembleia Geral dos Tuxauas, intitulada “Os Povos Indígenas e Respeito ao Meio Ambiente”. Este evento aconteceu na aldeia Pium, região do Taiano, município de Alto Alegre. Declarara-se oposição à plantação de acácia nas proximidades e no interior das TIs.

05 e 08 de outubro de 2003 – Realização do I Seminário Etno-Ambiental Indígena de Roraima, intitulado “Os Povos Indígenas Respeitam o Meio Ambiente”. Os indígenas repudiam os plantios de acácia mangium em Roraima e definem esta prática como ameaça à biodiversidade.

2006 – Realização da 35ª Assembleia dos Povos Indígenas do Estado de Roraima. Os indígenas alertam sobre ataques de abelhas próximo aos buritizais, inviabilizando as atividades extrativas tradicionais.

2008 – A empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda (OVA) passa a se chamar Forrestry Investment Fund (F.I.T.) – Manejo Florestal do Brasil Ltda.

28 e 29 de abril de 2012 – Ocorre na cidade de Boa Vista o Seminário “A salvação do Planeta está na sabedoria ancestral e na mobilização dos povos”, como preparatório para a Conferência Rio+20. O problema envolvendo a plantação de acácia apareceu em diversas partes do documento produzido neste seminário.

27 de fevereiro e 01 de março de 2013 – Realização do Encontro Regional do Projeto “Mapeamento Social como instrumento de gestão territorial contra o desmatamento e a devastação: processos de capacitação de povos e comunidades tradicionais”, na cidade de Boa Vista. No evento deliberou-se que será mapeado o conflito envolvendo a acácia no entorno de TIs.

Fontes

CARNEIRO, João Paulo Jeannine Andrade. A morada dos Wapixana. Atlas toponímico da região indígena da Serra da Lua – RR. Dissertação (Linguística), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. SP, 2007.

BAINES, Stephen Grant. O movimento político indígena em Roraima: identidades indígenas e nacionais na fronteira Brasil-Guiana. Caderno CRH, Salvador, v.25, n.64. p.33-44. Jan./Abr. 2012.

BARBOSA, Reinaldo Imbrozio. Florestamento dos sistemas de vegetação aberta (savanas/cerrados) de Roraima por espécies exóticas (Acacia mangium Willd). Conselho Estadual de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia de Roraima. Boa vista, 2002.

BLOG COMBATE AO RACISMO AMBIENTAL. Roraima: Documento Final do Seminário Estadual Preparatório para a Conferência Rio+20. Rio de Janeiro, 15 mai. 2012. Disponível em: http://goo.gl/rVl2s. Acesso em: 06 abr. 2013.

FILHO, JAIME BRASIL. SOS Igarapé Caxangá (Boa Vista-RR) – Renaturalização já! Blog SOS Rios do Brasil. [S.l], 27 set. 2010. Disponível em: http://goo.gl/8rc8r. Acesso em: 05 abr. 2013.

F.I.T. MANEJO FLORESTAL DO BRASIL. Casa do Mel deve beneficiar mais 100 apicultores. Boa Vista, [s.l]. Disponível em: http://goo.gl/WWxO4. Acesso em: 12 abr. 2013.

INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL (ISA). Roraima Lavrado. Disponível em: http://goo.gl/DPsKw. Acesso em: 26 mar. 2013.

LAURIOLA, Vicenzo et AL. Nota preliminar sobre impactos das plantações de Acacia mangium Wild. Sobre terras e populações indígenas de Roraima. Contribuição para a audiência pública de 13/11/02. Disponível em: http://goo.gl/ia3A. Acesso em: 02 abr. 2013.

LIMA, CAMERM LÚCIA SILVA. Relatório de atividades de pesquisa: outubro a dezembro de 2011. Projeto Nova Cartografia Social – Núcleo Roraima. Manaus, dez. 2011. Disponível em: http://goo.gl/C53Nd. Acesso em: 06 abr. 2013.

MADEREIRA VALE VERDE LTDA. Localização geográfica. Disponível em: http://goo.gl/4XKhF. Acesso em: 03 abr. 2013.

PINHEIRO, AROLDO. Verde que te quero verde. Roraima hoje. Boa Vista, 20 set. 2010. Disponível em: http://goo.gl/7Xg5e. Acesso em: 05 abr. 2013.

PREFEITURA MUNICIPAL DE BONFIM, RORAIMA. Sobre Bonfim. Disponível em: http://goo.gl/nXf7i. Acesso em: 03 abr. 2013.

PROJETO NOVA CARTOGRAFIA SOCIAL DA AMAZÔNIA. Encontro Regional realizado em Boa Vista – RR. Boa Vista, 05 mar. 2013. Disponível em: http://goo.gl/KZLrT. Acesso em: 05 abri. 2013.

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REVISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Atuação Extrajudicial do Ministério Público. Nº46, jan./mar., 2002, PP.230/660. Disponível em: http://goo.gl/9dreI. Acesso em: 06 abr. 2013.

RIBEIRO, Aleksander Hadar. O Buriti na Terra Indígena Araçá, Roraima: usos tradicionais, manejo e potencial produtivo. Dissertação (Ciências de Florestas Tropicais), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Manaus, 2010.

TRILHAS DE CONHECIMENTOS. A formação do Estado de Roraima. Disponível em: http://goo.gl/OaL7P. Acesso em: 13 abr. 2013.

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