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RJ – Moradores de Seropédica lutam contra instalaçâo de aterro sanitário

UF: RJ
Município Atingido: Rio de Janeiro (RJ)
Outros Municípios: Itaguaí (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Seropédica (RJ)
População: Agricultores familiares, Moradores do entorno de lixões
Atividades Geradoras do Conflito: Aterros sanitários, incineradores, lixões e usinas de reciclagem, Atuação de entidades governamentais, Políticas públicas e legislação ambiental
Impactos Socioambientais: Erosão do solo, Poluição de recurso hídrico, Poluição do solo
Danos à Saúde: Acidentes, Doenças não transmissíveis ou crônicas, Doenças transmissíveis, Piora na qualidade de vida

Síntese

O município do Rio de Janeiro produz diariamente cerca de 10 mil toneladas de lixo e de resíduos tóxicos. Desse total, cerca de 8.000 toneladas sâo atualmente destinadas ao aterro controlado de Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias, e cerca de 2.000 sâo enviadas ao aterro de Gericinó, em Bangu. Sem a existência de qualquer política pública de gestâo e aproveitamento desses recursos, a principal destinaçâo dada a esses resíduos é o enterramento nessas enormes áreas de sacrifício. Isso tem gerado sérios problemas ambientais e de saúde pública, na medida em que o chorume e parte do lixo depositado acabam por causar impactos nos ecossistemas e à populaçâo de seu entorno.

Desde meados da década de 1980, sabe-se que esses aterros controlados funcionam acima de sua capacidade. Há fortes indícios de seu esgotamento e, no caso específico de Jardim Gramacho, a própria morfologia do terreno, selecionado na década de 1970, representa um risco, pois o mesmo foi construído em cima de um antigo mangue, às margens da baía de Guanabara e dos rios Sarapuhy e Iguaçu. O que significa que, caso o terreno ceda devido ao peso do lixo disposto ali, poderá provocar um acidente ambiental de enormes proporções.

Entre 2000 e 2009, a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro tentou implantar um aterro sanitário no bairro de Paciência, zona oeste do município do Rio de Janeiro. Após quase uma década, em meio à polêmica e mobilizaçâo da populaçâo local, o projeto de instalaçâo do centro de tratamento de resíduos naquele local foi suspenso. Entretanto, o problema da destinaçâo final dos resíduos sólidos da segunda maior metrópole do país e de parte da regiâo metropolitana permanecia. A soluçâo encontrada pelo poder público, longe de ser a mais adequada, foi a transferência do projeto ? e os conflitos a ele relacionados – para o município vizinho de Seropédica.

Assim como na capital fluminense, a populaçâo da zona rural de Seropédica ? principalmente, as comunidades localizadas no entorno da área escolhida para instalaçâo da Central de Tratamento de Resíduos (agora rebatizado como CTR Santa Rosa) -, resiste à aprovaçâo do projeto. A administraçâo municipal local apóia a instalaçâo do empreendimento; já a Câmara de Vereadores de Seropédica tem votado projetos que ora visam viabilizá-lo, ora impedir sua aprovaçâo (de acordo com a posiçâo política do grupo majoritário em cada legislatura), aprovando entre outras coisas mudanças na lei orgânica municipal para permitir sua instalaçâo.

Contexto Ampliado

Localizado na regiâo Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, o município de Seropédica possui pouco mais de 70 mil habitantes e uma área de 280 km². Desmembrado de Itaguaí em 1997, possui economia centrada no setor de serviços e é localmente conhecido por abrigar a sede da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio e um PIB estimado em algo em torno de 500 mil reais. Como muitos outros municípios da Baixada Fluminense, Seropédica se constitui enquanto cidade-dormitório, abrigando trabalhadores que todos os dias se deslocam para ocupações em outros municípios da Regiâo Metropolitana.

Desde 2007, entretanto, Seropédica está no centro de uma polêmica envolvendo a instalaçâo do Centro de Tratamento de Resíduos Santa Rosa, na zona rural do município. Projeto estratégico para a atual política de gestâo de resíduos sólidos da regiâo metropolitana, especialmente da capital fluminense, o CTR foi projetado para substituir os atuais aterros controlados de Jardim Gramacho¹, em Duque de Caxias e Gericinó, no Rio de Janeiro. Operando além de sua capacidade e com o tempo de vida útil próximo de seu limite, estes aterros sâo hoje grandes focos de conflitos e riscos para a populaçâo de seu entorno.

O projeto inicial da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, através da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), previa a instalaçâo desta CTR no bairro de Paciência, na zona oeste daquele município. Contudo, a mobilizaçâo da populaçâo e entidades ambientalistas locais, contrárias ao empreendimento, resultou na suspensâo do projeto original e na negociaçâo de uma área alternativa na regiâo metropolitana.

A área escolhida, hoje de propriedade da SA Paulista de Construções e Comércio – a qual deve operar a CTR em parceria com a concessionária Grupo Júlio Simões -, é predominantemente rural e completamente modificada, já que anteriormente funcionava como uma fazenda de gado, possuindo aproximadamente 2,2 milhões de metros quadrados ou 220 hectares. Nas proximidades já funcionam uma pedreira, uma usina de produçâo de asfalto e uma unidade de mineraçâo de areia para uso na construçâo civil, além de dezenas de pequenas propriedades rurais, como chácaras e sítios.

Segundo o relatório de impacto ambiental do empreendimento, elaborado pela Vereda Estudos e Execuçâo de Projetos a serviço da S.A Paulista, a Central de Tratamento de Resíduos Santa Rosa ? CTR Santa Rosa irá receber os resíduos sólidos Classe II (nâo perigosos) e Classe I (perigosos) gerados no município de Seropédica, RJ. A CTR Santa Rosa terá capacidade, ainda, de receber resíduos sólidos industriais Classe I (perigosos) e Classe II (nâo perigosos), a uma média de 3.673 toneladas por dia durante 20 anos de vida útil.

O local escolhido se situa sobre o aquífero Piranema, importante reserva de água doce do município; por esse motivo, o projeto também prevê um sistema de transferência das águas que permeiam o terreno para “além da área de uso de aterro propriamente dito”, complementado por um programa de vigilância sobre as águas subterrâneas, águas superficiais e o solo. Além disso, está previsto um sistema de impermeabilizaçâo de base composto por “uma camada dupla de argila compactada, a qual será coberta com uma manta de PEAD (polietileno de alta densidade) com 1,5 mm de espessura e uma nova camada de solo para proteçâo da manta. O aterro será dotado ainda de sistema de drenagem de águas pluviais, de gases e de líquidos percolados (chorume)”. Durante operaçâo da CTR Santa Rosa, está prevista a cobertura diária das células de resíduos com uma camada de solo de 20 cm de espessura.

As diversas operações previstas e a segurança ambiental da regiâo exigirâo a implantaçâo das seguintes unidades: Aterro de Resíduos Industriais Classe I; Aterro de Resíduos Industriais Classe II; Aterro de Resíduos Domiciliares Classe II; Unidade de Tratamento de Efluentes Líquidos Industriais; Unidade de Tratamento de Resíduos de Serviços de Saúde por Autoclavagem; Unidade de Tratamento de Solos Contaminados por Dessorçâo Térmica; Unidade de Tratamento de Resíduos Industriais Classe I por Blendagem para posterior queima em fornos de cimenteiras e Unidade de Tratamento de Resíduos Industriais Classe I por Solidificaçâo. Além disso, está previsto o emprego de sistemas de recuperaçâo do biogás dos aterros para consumo próprio e /ou para a queima controlada do metano gerado na decomposiçâo dos resíduos nos aterros.

O transporte do lixo até a CTR poderá ser feito tanto por via rodoviária, através da Estrada de Santa Rosa, ou por via ferroviária, através de extensâo da Malha Sudeste da Rede Ferroviária Federal a ser instalada no local.

Segundo os críticos do projeto, todas essas unidades e atividades, apesar das medidas de segurança e gestâo ambiental, podem, em caso de falhas na execuçâo do projeto – ou em caso de acidentes -, colocar em risco a saúde da populaçâo local e contaminar o meio ambiente, especialmente o lençol freático, dada a porosidade do terreno, constituído predominantemente de faixas arenosas e permeáveis. Em novembro de 2007, pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) já alertavam para o risco. Em entrevista à imprensa fluminense, o especialista em impacto ambiental, Carlos Domingos, afirmava que:

“Pode correr o risco de um rompimento, um acidente inesperado e vazarem substâncias tóxicas para o aquífero, que é muito importante para a Baixada Fluminense. Nâo podemos correr esse risco”.

Outro fator de preocupaçâo naquela época era a falta de discussâo do projeto com a populaçâo e o apoio ostensivo dos vereadores seropedicenses ao projeto. Em menos de três dias, projetos que alteravam a lei orgânica do município, criavam a área do aterro e diminuíam os limites das áreas de proteçâo ambiental da cidade foram propostos, sendo aprovados nas comissões internas da Câmara dos Vereadores de Seropédica sem que houvesse tempo para serem debatidos ou discutidos com a populaçâo, ou para que grupos contrários aos projetos se organizassem.

Questionado a esse respeito pela equipe de reportagem do RJ TV ? noticiário local da Rede Globo ?, o presidente da Câmara dos Vereadores teria afirmado que “projeto de lei que permite a instalaçâo do aterro sanitário foi aprovado de acordo com o regimento interno” e que a discussâo com a comunidade estava prevista apenas durante as audiências públicas a serem realizadas durante o licenciamento ambiental do empreendimento.

A primeira tentativa de realizaçâo destas audiências públicas aconteceria em 26 de agosto de 2009, organizada pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA). Entretanto, a audiência foi suspensa pelo órgâo ambiental, em decorrência de atos de protestos organizados por grupos locais contrários à instalaçâo da CTR no município.

Em nota divulgada pela Assessoria da Comunicaçâo da Secretaria Estadual do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, representantes do INEA afirmam que:

“A questâo do aquífero e sua possível contaminaçâo está entre as questões analisadas por equipe de especialistas”; além disso, “a inviabilizaçâo da audiência, na última quarta-feira, promovida por grupos organizados, depõe contra a democracia e a participaçâo social no processo de licenciamento, e cerceia a capacidade local de se informar e interferir na decisâo”. Na nota, o INEA defende ainda que “o problema da disposiçâo de lixo tem soluçâo técnica na engenharia mas, em pleno século XXI, nos confrontamos com a falta de soluções para um problema medieval. Soluções sâo necessárias para que nâo continuem ocorrendo casos como o de Seropédica, onde o lixo é lançado a céu aberto, contaminando o meio ambiente sob o olhar de todos”.

Em entrevista ao jornal O Globo, o entâo presidente do INEA, Luiz Firmino, afirmou que:

“O Inea só vai licenciar se tiver certeza de que o projeto é seguro. Até agora, do ponto de vista técnico, há como garantir a impermeabilizaçâo. Mas a intençâo dos técnicos é vetar os resíduos perigosos. A audiência pública, no entanto, pode mudar todo o rumo do processo caso novos documentos comprovem o risco”.

Assim, a posiçâo do órgâo de proteçâo ao meio ambiente se baseia na premissa de que o projeto de engenharia elaborado e o processo de licenciamento ambiental sâo capazes de sanar as incertezas, diminuir os riscos e assegurar a qualidade do meio ambiente e a saúde da populaçâo em face de um empreendimento potencialmente poluidor. Também fica patente, pela fala do presidente do órgâo, que o princípio da precauçâo nâo estava sendo levado em consideraçâo, já que o INEA aguardava as audiências públicas para considerar os riscos. Numa perspectiva heterodoxa, o órgâo ambiental esperava que os riscos fossem apresentados nas audiências públicas, ao invés de exigir do empreendedor provas de sua ausência ou da segurança do projeto.

Em setembro daquele ano, um novo ator político se interpôs à instalaçâo da CTR naquele local: a Prefeitura Municipal de Itaguaí. De acordo com reportagem da Agência Rio de Notícias, a administraçâo do município vizinho considera-se proprietária do terreno em questâo. Segundo o procurador de Itaguaí, Alexandre Oberg, a propriedade da área cedida ao Centro de Tratamento de Resíduos de Santa Rosa está sendo discutida judicialmente desde 1996, quando Seropédica se emancipou de Itaguaí, e o processo ainda nâo teria sido julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O entâo prefeito de Itaguaí, Carlos Busatto Junior, também criticava a escolha do local: “O aterro ficaria em cima do terceiro maior aquífero do Rio, que é uma reserva de água potável estratégica para o Estado. Uma contaminaçâo ali seria um dano ambiental irreparável de grandes consequências. Por isso, a Prefeitura de Itaguaí é totalmente contra o projeto”.

Enquanto a Prefeitura Municipal de Itaguaí se mobilizava para tentar sustar judicialmente a implantaçâo do projeto, a prefeitura carioca resolvia pendências administrativas. Naquele mesmo mês, a Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro firmou, com o Grupo Júlio Simões – o mesmo que havia vencido a licitaçâo para instalaçâo do CTR em Paciência -, um novo contrato de concessâo. Pelo novo acordo, a concessionária ficava responsável pelo transporte e pela deposiçâo do lixo a um custo de mais de R$ 1 bilhâo pelo período de 15 anos.

Três dias depois da assinatura do contrato, em 28 de setembro de 2009, um grupo de vereadores de Seropédica – acompanhados por pesquisadores, ativistas de movimentos sociais, membros de associações de moradores do município, e professores da UFRRJ – realizaram um ato público em frente à Câmara dos Vereadores do município.

Na ocasiâo, a vereadora Maria José afirmou que:

“Estamos em um ato de protesto contra este empreendimento que tanto nos assombra, que é o aterro sanitário pela empresa S/A Paulista. Nós, de Seropédica, queremos saneamento básico, asfalto, água, qualidade de vida! Menos o lixo! Como a Dra Rosângela acabou de falar, é importante que acabemos com o nosso lixâo, mas Seropédica nâo deve ser o quintal do Rio de Janeiro! Hoje temos uma Câmara comprometida, que quer lutar contra o lixo aqui. Temos que brecar de uma vez este licenciamento, que visa a instalaçâo de um aterro sanitário em cima de nosso aquífero! Total desrespeito ao meio ambiente e à nossa água! Sem água nâo sobrevivemos. Querem resolver o problema do Rio de Janeiro, querem a Zona Sul, Barra da Tijuca cheirosos jogando tudo aqui? Nâo vamos permitir isso! Que limpem o Rio mas nâo joquem lixo aqui! Querem as Olimpíadas no Rio de Janeiro? Que seja feito, mas que o lixo nâo seja lançado no nosso município! Precisamos ter governo próprio, e nâo sofrer a ingerência do prefeito do Rio de Janeiro! Estejamos sempre unidos na luta contra o lixo!”.

Nessa fala, questões ambientais, de saúde e política se combinam. Esta tem sido a tônica em diversos conflitos ambientais deste tipo, já que o processo de licenciamento, longe de ser meramente um processo técnico como gostam de apresentar os órgâos licenciadores, é uma ocasiâo para se discutir políticas públicas, de se questionar o modelo de desenvolvimento, de construçâo de alianças políticas e da proposiçâo de alternativas.

É nessa perspectiva que a Comissâo de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) realizou uma audiência pública própria para discutir a CTR. Segundo o Presidente da Comissâo, o deputado estadual André Lazaroni, a ALERJ pretendia ouvir principalmente os moradores do entorno do terreno que receberá a futura estaçâo de tratamento. Além deles, foram convidados a participar representantes da prefeitura local, dos empreendedores, do INEA, do ministério público e da Comissâo Estadual de Controle Ambiental (Ceca).

Como resultado da audiência, o presidente da comissâo se comprometeu a criar “uma comissâo, dentro da comissâo de meio ambiente” e visitar o local previsto para o empreendimento junto com representantes da sociedade civil.

Representantes da empresa SA Paulista/Haztec defenderam o projeto de construçâo da CTR:

“O objetivo é alcançar resultados com alta eficiência, sem impacto para o meio ambiente e para a regiâo. Com o modelo implantado, será possível garantir o fechamento do ciclo do lixo, ou seja, da origem ao gerenciamento, tratamento, monitoramento e disposiçâo final dos resíduos” – garantiu a gerente de meio ambiente da empresa, Adriana Felipetto.

Contrariando esta perspectiva, o engenheiro Adacto Ottoni publicou, no site do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Estado do Rio de Janeiro (CREA-RJ), um artigo onde contestava a sustentabilidade de projetos desse tipo:

“A soluçâo técnica usual para o destino final dos resíduos sólidos urbanos é a utilizaçâo dos aterros sanitários. No entanto, esta soluçâo por si só nâo tem sustentabilidade ambiental e está cada vez mais inviável pela dificuldade em se obter áreas disponíveis. Há uma grande reaçâo das comunidades locais à implantaçâo desses aterros relacionada aos odores, riscos de contaminaçâo do solo, ar e água naturais, poluiçâo sonora e visual no transporte dos caminhões para descarga do lixo no aterro, riscos à saúde, entre outros problemas gerados pelo lixo urbano”. Segundo este, a soluçâo sustentável passaria “por uma mudança de paradigmas na gestâo desses resíduos; deve-se pensar modernamente na Política dos cinco R?s (Reeducar, Repensar, Reduzir, Reciclar e Reutilizar) para a gestâo dos Resíduos Sólidos Urbanos”.

Confirmando o diagnóstico de Ottoni, moradores da Agrovila de Chaperó, comunidade vizinha à área prevista para a CTR, aproveitaram a presença da imprensa para externar sua insatisfaçâo quanto à escolha do local para a instalaçâo do empreendimento. De acordo com reportagem da Agência Brasil, os moradores reclamam que a instalaçâo do aterro foi imposta, sem que tivessem sido consultados.

“O povo é o último a saber das coisas. Eles deveriam ter se comunicado com a comunidade. A gente respira o verde e vai respirar poluiçâo. Estâo iludindo muitas pessoas, em matéria de emprego, mas promessa todo mundo faz. Chaperó vai ser conhecido como o bairro do lixâo e será esquecido”, reclamou o instalador elétrico Marco Antônio Patrocínio, que há 24 anos foi morar na localidade, que nâo passava de poucas dezenas de casas, em meio a chácaras e sítios. Abaixo-assinados já teriam sido feitos contra a CTR.

Em entrevista à mesma agência, a engenheira agrônoma Rosângela Straliotto, que faz parte do conselho ambiental da cidade de Seropédica, afirmou que a inauguraçâo do aterro colocará em risco até mesmo o abastecimento de água do Rio de Janeiro, em situações de emergência.

“A minha posiçâo é embasada nos relatórios da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) sobre os estudos dessa área, através do departamento de geologia. A área possui em seu subsolo o terceiro maior aquífero do Rio de Janeiro, de água límpida e potável. Somente na área do aterro têm dois rios e mais três nascentes. É uma regiâo de baixada em que os rios descem da serra limpos, sem poluentes. A área é, tecnicamente, inviável para a colocaçâo desse tipo de empreendimento”. Além disso, o local é sujeito a inundações em época de chuva o que faz o lençol freático subir, fazendo as nascentes transbordarem, o que poderia provocar vazamento de lixo.

Apesar da oposiçâo da populaçâo local, inclusive com a produçâo de diversos relatórios contestando a análise apresentada pelo empreendedor, o INEA decidiu favoravelmente pelo licenciamento da CTR. Em agosto de 2010, as obras foram iniciadas, com previsâo para que a inauguraçâo ocorra em janeiro de 2011. Em setembro, tiveram início as obras de terraplanagem.

¹ Maiores detalhes acerca dos conflitos em torno do funcionamento do Aterro Controlado de Jardim Gramacho e do projeto de instalaçâo do CTR em Paciência podem ser consultados em fichas específicas neste mapa.

Cronologia

Outubro de 2007: Câmara dos Vereadores de Seropédica aprova projeto de lei que altera lei orgânica do município. Mudança na lei permitirá instalaçâo de aterro sanitário na zona rural do município.

26 de agosto de 2009: Instituto Estadual do Ambiente (Inea) realiza audiência pública em Seropédica para discutir projeto de instalaçâo de aterro sanitário no município. Ato de grupos contrários ao empreendimento provoca a suspensâo da audiência.

06 de setembro de 2009: Prefeitura Municipal de Itaguaí anuncia que entrará com açâo na justiça para impedir licenciamento de aterro sanitário em Seropédica. Segundo procuradoria do município, o terreno escolhido para implantaçâo do CTR Santa Rosa seria objeto de litígio entre os dois municípios desde 1996. Itaguaí alega ser a legítima proprietária da área em questâo.

28 de setembro de 2009: Vereadores, pesquisadores e associações locais realizam protesto contra a instalaçâo do CTR Santa Rosa em frente à Câmara dos Vereadores de Seropédica.

06 de novembro de 2009: Comissâo de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro realiza reuniâo para discutir possíveis impactos do Centro de Tratamento de Resíduos Santa Rosa, a ser instalado em Seropédica.

06 de junho de 2010: Associaçâo de Moradores de Chaperó inicia coleta de assinaturas para abaixo-assinado contra a instalaçâo de aterro sanitário no bairro.

08 de julho de 2010: Sociedade civil e organizações sindicais de Seropédica realizam ato público contra instalaçâo de aterro no município.

09 de agosto de 2010: Justiça decide favoravelmente a açâo movida pela Prefeitura Municipal de Seropédica contra emenda na lei orgânica que proíbe construçâo de aterros no município.

13 de agosto de 2010: Prefeitura Municipal de Seropédica concede licença para início as obras do CTR Santa Rosa.

Cronologia

Outubro de 2007: Câmara dos Vereadores de Seropédica aprova projeto de lei que altera lei orgânica do município. Mudança na lei permitirá instalaçâo de aterro sanitário na zona rural do município.

26 de agosto de 2009: Instituto Estadual do Ambiente (Inea) realiza audiência pública em Seropédica para discutir projeto de instalaçâo de aterro sanitário no município. Ato de grupos contrários ao empreendimento provoca a suspensâo da audiência.

06 de setembro de 2009: Prefeitura Municipal de Itaguaí anuncia que entrará com açâo na justiça para impedir licenciamento de aterro sanitário em Seropédica. Segundo procuradoria do município, o terreno escolhido para implantaçâo do CTR Santa Rosa seria objeto de litígio entre os dois municípios desde 1996. Itaguaí alega ser a legítima proprietária da área em questâo.

28 de setembro de 2009: Vereadores, pesquisadores e associações locais realizam protesto contra a instalaçâo do CTR Santa Rosa em frente à Câmara dos Vereadores de Seropédica.

06 de novembro de 2009: Comissâo de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro realiza reuniâo para discutir possíveis impactos do Centro de Tratamento de Resíduos Santa Rosa, a ser instalado em Seropédica.

06 de junho de 2010: Associaçâo de Moradores de Chaperó inicia coleta de assinaturas para abaixo-assinado contra a instalaçâo de aterro sanitário no bairro.

08 de julho de 2010: Sociedade civil e organizações sindicais de Seropédica realizam ato público contra instalaçâo de aterro no município.

09 de agosto de 2010: Justiça decide favoravelmente a açâo movida pela Prefeitura Municipal de Seropédica contra emenda na lei orgânica que proíbe construçâo de aterros no município.

13 de agosto de 2010: Prefeitura Municipal de Seropédica concede licença para início as obras do CTR Santa Rosa.

Fontes

AGÊNCIA RIO DE NOTÍCIAS. Itaguaí quer barrar construçâo de aterro sanitário. Rio de Janeiro, 06 set. 2009. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÂO DA SECRETARIA DO AMBIENTE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Ambiente lamenta açâo contra audiência pública sobre Aterro de Seropédica. Jus Brasil Política, Rio de Janeiro, 27 ago. 2009. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

______. Aterro de Seropédica: possível contaminaçâo de aqüífero preocupa parlamentares. Rio de Janeiro, 09 nov. 2009. Disponível em: http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=70262/. Acesso em: 08 set. 2010.

BRANDÂO, Tulio. Inea deve dar licença a aterro sanitário sobre aquífero. O Globo, Rio de Janeiro, 27 ago. 2009. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

C3.ORG. Seropédica diz nâo a aterro sanitário. Nova Iguaçu, 23 nov. 2009. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

CORREIO DO BRASIL. Aterro em Seropédica começa a ser construído. Rio de Janeiro, 13 ago. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

MONITOR MERCANTIL. Estaçâo de tratamento de lixo em Seropédica será tema de audiência. Rio de Janeiro, 06 nov. 2009. Disponível em: http://www.monitormercantil.com.br/mostranoticia.php?id=70176/. Acesso em: 08 set. 2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cidades: Seropédica. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1. Acesso em: 08 set. 2010.

______. Novo aterro sanitário do Rio construído em cima de aquífero preocupa ambientalista. Agência Brasil, Brasília, 06 jun. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

O GLOBO. Aterro de Seropédica receberá lixo do Rio. Rio de Janeiro, 07 set. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

OTTONI, Adacto Benedito. A Necessidade de uma Gestâo com Sustentabilidade Ambiental para os Resíduos Sólidos na Cidade do Rio de Janeiro. Portal CREA-RJ, Rio de Janeiro, fev. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 05 out. 2010.

PEREIRA, Aline. Adur-RJ convoca ato público contra aterro sanitário em Seropédica (RJ). Seropédica, 05 jul. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

PLATONOW, Vladimir. Comunidade protesta contra instalaçâo de aterro sanitário em município do interior. Agência Brasil, Brasília, 06 jun. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

PORTAL SEROPÉDICA. Criaçâo de novo aterro sanitário em Seropédica está na Justiça. Seropédica, 04 ago. 2010. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

REZENDE, Sidney. Prefeitura do Rio de Janeiro resolve implantar aterro em Seropédica em 2011. Rio de Janeiro, 25 set. 2009. Disponível em: Link. Acesso em: 08 set. 2010.

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VEREDA ESTUDO E EXECUÇÂO DE PROJETOS/S.A PAULISTA. Relatório de impacto ambiental do CTR Santa Rosa. Disponível em: http://www.inea.rj.gov.br/fma/RIMAS/RIMA_CTR_SantaRosa.pdf. Acesso em: 08 set. 2010.

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