Garimpo em Mucajaí, RR, leva violência ao povo Yanomami, causando desmatamento e poluição dos rios com mercúrio

UF: RR

Município Atingido: Mucajaí (RR)

População: Povos indígenas

Atividades Geradoras do Conflito: Madeireiras, Mineração, garimpo e siderurgia, Pecuária

Impactos Socioambientais: Alteração no regime tradicional de uso e ocupação do território, Desmatamento e/ou queimada, Incêndios e/ou queimadas, Invasão / dano a área protegida ou unidade de conservação, Mudanças climáticas, Poluição atmosférica, Poluição de recurso hídrico

Danos à Saúde: Contaminação química, Piora na qualidade de vida, Violência – ameaça, Violência – assassinato

Síntese

O município de Mucajaí, localizado no centro-sul de Roraima, tem sua história marcada por sucessivas ondas de ocupação e conflitos ambientais desde meados do século XX. Em 1951, foi criada a Colônia Agrícola Fernando Costa pelo então governador do antigo Território Federal do Rio Branco, Ene Garcez Reis (PSD-RR), atraindo migrantes nordestinos para a região (IBGE, 2026). Nas décadas seguintes, o território passou a ser explorado por garimpeiros: primeiro, em busca da cassiterita na década de 1970; e do ouro na década seguinte, provocando confrontos violentos com os povos Yanomami, desmatamento e poluição dos rios com mercúrio (Xaud; Xaud, 2017).

Em 29 de fevereiro de 1996, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) criou os assentamentos Sumaúma e Vila Nova, com capacidade para 1.270 famílias no total. Sem apoio técnico, os colonos recorreram a queimadas para limpar áreas, intensificando o risco de incêndios (Xaud; Xaud, 2017). No final da década de 1990, o desmatamento atingiu níveis alarmantes: em 1999, mais de 9 mil hectares foram devastados (Mapbiomas, 2026).

Entre 2000 e 2015, segundo o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), Mucajaí apresentou as maiores taxas de desmatamento de Roraima, com picos em 2000 (16.806 ha) e 2008 (21.680 ha).

Nos primeiros anos, mais de 50% das áreas abertas tinham mais de 50 hectares, ligadas à especulação fundiária e à pecuária. Após 2009, o padrão mudou: 75% a 80% das aberturas passaram a ser menores do que 25 hectares, indicando fragmentação e estratégias para escapar da fiscalização do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em 2004 (Xaud; Xaud, 2017).

Já em 20 de julho de 2015, reportagem da Folha de Boa Vista mostrou que queimadas agravaram a seca e provocaram falta de água para agricultores e colonos, apesar das multas aplicadas pela Defesa Civil Municipal de Mucajaí e pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Roraima (Femarh-RR) (Folha BV, 2015).

O ano de 2019 marcou um aumento de 279% no desmatamento em relação a 2018, considerando todo o Estado de Roraima. Mucajaí figurou entre os municípios mais afetados, com expansão da grilagem, monocultura da soja e pecuária.

Uma operação da Polícia Federal (PF) desarticulou 22 empresas envolvidas em esquema de madeira ilegal de R$ 80 milhões. Os cortes de recursos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) agravaram os incêndios florestais (Mongabay Brasil, 2019; UOL Notícias, 2019).

Em 2020, a Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou ações cobrando R$ 893 milhões de desmatadores da Amazônia, incluindo casos em Mucajaí, para reparar danos em 35 mil hectares de floresta (Agência Brasil, 2020).

Os conflitos se intensificaram em 2023, quando o agente de saúde indígena Ilson Xirixana foi assassinado por garimpeiros em 29 de abril. No dia seguinte, fiscais do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram atacados, resultando na morte de quatro garimpeiros. Em 1º de maio, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede-SP), anunciou operações reforçadas contra o garimpo ilegal, com apoio das Forças Armadas e da Polícia Federal (O Eco, 2023).

Em 21 de fevereiro de 2025, o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) registrou aumento de 68% no desmatamento da Amazônia em janeiro, com Mucajaí entre os dez municípios mais afetados, devastando mais de 4 km² de floresta (Imazon, 2025). No mesmo ano, em 20 de março, o governo federal lançou um programa de R$ 785 milhões para combater o desmatamento em 70 municípios prioritários, incluindo Mucajaí, com apoio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e do programa Floresta+ Amazônia (Folha BV, 2025).

Em 17 de julho de 2025, foi instalada uma base de segurança da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), na Vila Samaúma, para proteger comunidades do povo indígena Yanomami (G1, 2025).

Em 2024, Mucajaí havia registrado recorde de mais de 10 mil hectares desmatados (Mapbiomas, 2026). Já em 15 de agosto de 2026, a prefeitura divulgou mutirão ambiental do programa Floresta+ Amazônia, oferecendo pagamentos a agricultores familiares que preservassem áreas de floresta, numa tentativa de transformar a conservação em fonte de renda (Instagram @prefeiturademucajairr, 2026).

 

Contexto Ampliado

Mucajaí é um município localizado no centro-sul de Roraima, com sede a cerca de 50 km ao sul da capital do Estado, Boa Vista. Como podemos ver na imagem abaixo, parte do município é ocupada pela Floresta Nacional de Roraima, e quase metade da sua área total (49,85%) pertence aos Yanomami, povo indígena que ocupa a região noroeste da Amazônia brasileira há milênios. Segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Mucajaí vivem 740 indígenas oriundos da etnia Yanomami.

 

Mapa mostra o município de Mucajaí, com a área da Terra Indígena Yanomami destacada em bege, e a Floresta Nacional de Roraima em Verde, além das estradas e hidrovias do município. Fonte: Xaud; Xaud, 2017. Diponível em: https://tinyurl.com/ys7ej5rj. Acesso em: 27 ago. 2026.

 

O município de Mucajaí tem sua história marcada por sucessivas ondas de ocupação, que tiveram início em 1951, quando foi criada a Colônia Agrícola Fernando Costa (IBGE, s.d.), pelo então governador do Território Federal do Rio Branco, o militar Ene Garcez Reis (PSD-RR), à beira do rio Mucajaí. Nela, colonos oriundos do Nordeste brasileiro se estabeleceram.

Essa primeira onda de “colonização” foi seguida por garimpeiros que exploraram cassiterita na década de 1970 e ouro nos anos 1980, indo até a região oeste do município, local da nascente do rio Mucajaí e território do povo Yanomami. Essas incursões dos garimpeiros provocaram choques culturais e ecológicos com os indígenas, resultando em desmatamento, confrontos violentos e poluição dos rios com mercúrio (Xaud; Xaud, 2017).

A abertura de estradas e assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) — como Sumaúma e Vila Nova — intensificou o desmatamento, pois as famílias assentadas, sem apoio técnico e recursos, recorreram às queimadas para limpar áreas florestais, agravando o risco de incêndios durante o período seco (Xaud; Xaud, 2017). Os assentamentos Sumaúma e Vila Nova foram criados em 29 de fevereiro de 1996 e, somados, são capazes de abrigar 1.270 famílias segundo informações disponibilizadas pelo Incra.

Entre 2000 e 2015, segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Mucajaí apresentou as maiores taxas de desmatamento e degradação ambiental de Roraima, com picos em 2000 (16.806 hectares) e 2008 (21.680 hectares). Nos primeiros anos da série histórica, mais de 50% do desmatamento ocorreu em grandes áreas (acima de 50 hectares), associadas à especulação fundiária e à expansão da pecuária.

Já entre 2009 e 2015, o padrão mudou: 75% a 80% das aberturas passaram a ser menores do que 25 hectares, indicando a fragmentação e o avanço de pequenos produtores sobre áreas remanescentes. Essa mudança coincidiu com o início do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em 2004 para alertar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre desmatamentos ilegais acima de 25 hectares, levando grandes desmatadores a adotar estratégias de fragmentação para escapar da fiscalização (Xaud; Xaud, 2017).

 

Gráfico demonstra, em hectares, a área desmatada entre 1987-2024 no município de Mucajaí. Fonte: MapBiomas. Disponível em: https://tinyurl.com/7a6vchaf.Acesso em: 27 ago. 2026.

 

Gráfico demonstra a área desmatada acumulada, em hectares, no município de Mucajaí. Fonte: MapBiomas (2026). Disponível em: https://tinyurl.com/7a6vchaf. Acesso em: 27 ago. 2026..

 

As figuras acima trazem dois gráficos retirados da plataforma MapBiomas (2026) que mostram a progressão temporal do desmatamento no município de Mucajaí. Vimos que o desmatamento anual cresceu constantemente até chegar a um pico em 1999, quando uma área de mais de 9 mil hectares foi desmatada. Após esse ano, vemos uma tendência de diminuição da área desmatada, mas com alguns picos ainda ocorrendo em 2004 e 2008, quando observamos um forte viés de queda nos números registrados no gráfico da Figura 2 até 2012.

Porém, a partir desse ano, observamos novamente uma tendência no aumento do desmatamento anual, registrando mais de 5 mil hectares desmatados em 2019 e um recorde de mais de 10 mil hectares desmatados em 2024. A Figura 3 nos mostra a área desmatada acumulada, desde 1987 até 2024, e vemos que a área total no município de Mucajaí está próxima aos 200 mil hectares desmatados.

Os casos de queimadas e desmatamentos em Mucajaí e região têm tido destaque em veículos de comunicação. Em 20 de julho de 2015, uma reportagem do portal on-line Folha de Boa Vista mostrou que colonos e moradores das vicinais sofriam com a falta de água para consumo e agricultura, resultado direto da destruição da vegetação nativa, o que potencializa e amplia o período de estiagem da região.

Mesmo com proibições, muitos produtores recorrem ao fogo para limpar áreas, agravando a seca e provocando a erosão e o assoreamento dos rios. Segundo Antônio Fernandes, então coordenador da Defesa Civil em Mucajaí, ela e a Fundação Estadual do Meio Ambiente de Roraima (Femarh-RR) multaram proprietários flagrados em queimadas ilegais, mas o controle era insuficiente para coibir completamente essa prática (Folha BV, 2015).

Em 2019, Roraima registrou um aumento de 279% no desmatamento em relação ao ano anterior, e Mucajaí figurou entre os municípios mais afetados. A expansão da grilagem de terras, da monocultura da soja e da pecuária foi acompanhada por fraudes milionárias na exploração de madeira — uma operação da Polícia Federal (PF) desarticulou 22 empresas envolvidas em um esquema que movimentava cerca de R$ 80 milhões em madeira ilegal.

A fragilidade da fiscalização e os cortes de recursos federais para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizados pelo governo de Jair Bolsonaro (PL-RJ) agravaram o cenário, deixando o estado à mercê de incêndios florestais, que chegaram a alguns dos níveis mais altos da série histórica de monitoramento das queimadas, como mostra a Figura 4. (Mongabay Brasil, 2019; UOL Notícias, 2019).

 

Área de floresta queimada em Mucajaí a cada ano, entre 1985 e 2025. Fonte: MapBiomas (2026). Disponível em: https://tinyurl.com/7a6vchaf. Acesso em: 27 ago. 2026.

 

Gráfico demonstra a progressão temporal da Cobertura do Solo em Mucajaí entre 1985 e 2024. Fonte: MapBiomas (2026) . Disponível em: https://tinyurl.com/7a6vchaf. Acesso em: 27 ago. 2026.

 

Na figura 5, vemos as mudanças ocorridas na cobertura do solo em Mucajaí entre 1985 e 2024. Neste gráfico, as barras verdes representam a área coberta por floresta amazônica original, e as barras amarelas representam as áreas cobertas por pastagens. A figura mostra o aumento das áreas de pastagens no município, principalmente a partir do final da década de 1990. Segundo o portal MapBiomas, a área total de pastagens em Mucajaí chegou a 174.400 hectares em 2024. Abaixo podemos ver as datas de estabelecimento das áreas de pastagens em Mucajaí:

 

Gráfico demonstra as datas de estabelecimento das pastagens em Mucajaí. Fonte: MapBiomas (2026). Disponível em: https://tinyurl.com/7a6vchaf. Acesso em: 27 ago. 2026.

 

O gráfico da Figura 6 mostra que, nos últimos 10 anos, as áreas de pastagens aumentaram em mais de 30%, ou seja, a expansão da fronteira agropecuária está em curso no município, o que explica os altos índices de desmatamentos e queimadas registrados.

Em 2020, a Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou ações cobrando R$ 893 milhões de desmatadores da Amazônia, incluindo casos em Mucajaí, para reparar danos ambientais em cerca de 35 mil hectares de floresta. A força-tarefa buscava responsabilizar pessoas físicas e jurídicas envolvidas em desmatamentos ilegais, consolidando o município como um dos focos de atenção federal.

Além dos casos em Mucajaí, a ação movida pela AGU abarcou desmatamentos em municípios do Amazonas (Lábrea, Manicoré e Nova Aripuanã), Rondônia (Alto Paraíso e Machadinho D´Oeste), Pará (Marabá, São Feliz do Xingú e Ulianópolis) e Mato Grosso (Nova Maringá, Peixoto de Azevedo, Santa Cruz do Xingú e São Felix do Araguaia) (Agência Brasil, 2020).

A partir de 2023, o desmatamento passou a se entrelaçar ainda mais com o avanço do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, cujas margens do rio Mucajaí se tornaram rota de abastecimento para aeronaves clandestinas.

Segundo reportagem de Michael Esquer publicada em 2/5/2023 no portal ‘O Eco’, após o assassinato do agente de saúde indígena Ilson Xirixana em ataque perpetrado por garimpeiros em 29 de abril de 2023, duas associações de povos Yanomami, a Hutukura Associação Yanomami (HAY) e Texoli Associação Ninam do Estado de Roraima (Taner), publicaram nota afirmando que o atentado ocorreu durante uma cerimônia fúnebre e partiu de um barco com seis garimpeiros armados, que abriram fogo contra a comunidade Uxiu.

A reportagem relata que, no dia seguinte ao atentado que vitimou o agente de saúde indígena, foi registrado outro confronto na Terra Indígena Yanomami, na mesma região. Ao realizar operação de fiscalização, uma equipe de profissionais do Ibama e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi atacada por garimpeiros, que abriram fogo. Os fiscais reagiram e quatro garimpeiros morreram. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), um desses garimpeiros era foragido da Justiça do Estado do Amapá.

 

Registro de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Fonte: O Eco (2023). Disponível em: https://tinyurl.com/5c7x6wry. Acesso em: 27 ago. 2026.

 

Ainda segundo a reportagem de Michael Esquer no site ‘O Eco’, em coletiva de imprensa em Boa Vista (RR), após uma reunião em 1° de maio de 2023 em resposta a esse atentado, a então ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede-SP) afirmou que o governo federal intensificou operações de fiscalização, com apoio das Forças Armadas, Ibama e PF.

Na mesma coletiva, o então presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, afirmou que o serviço de inteligência da operação que atuava na TI Yanomami tinha encontrado fortes indícios de que alguns pontos de garimpo ainda ativos eram sendo mantidos com o apoio de organizações criminosas.

Em 21 de fevereiro de 2025, reportagem do site O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) informou o aumento do desmatamento na Amazônia em janeiro em comparação com 2024, revertendo tendência de queda registrada entre 2022 e 2024. Segundo a reportagem, “esses números evidenciam uma crescente pressão sobre a Amazônia e servem como um sinal de alerta para a necessidade de fortalecer as ações de monitoramento na região”.

Ainda de acordo com a reportagem, Mucajaí esteve entre os dez municípios que registraram maiores áreas de desmatamento durante esse período, com mais de 4 km² de floresta desmatada em janeiro de 2025. Segundo o texto, as principais vítimas desse processo continuavam sendo agricultores familiares e povos indígenas, especialmente os Yanomami, cuja sobrevivência depende da floresta e dos rios que vêm sendo contaminados e destruídos.

Em 20 de março de 2025, o governo federal lançou um programa de R$ 785 milhões para combater o desmatamento em 70 municípios prioritários da Amazônia, incluindo Mucajaí. A iniciativa integra o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), e é apoiada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pelo programa Floresta+ Amazônia. A iniciativa busca fortalecer a fiscalização e recuperar as áreas degradadas, com foco em territórios vulneráveis e populações tradicionais (Folha BV, 2025).

Em 17 de julho 2025, foi instalada uma base de segurança operada pela Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na Vila Samaúma, em Mucajaí, para reforçar o combate ao garimpo e proteger as comunidades da Terra Indígena Yanomami, que enfrentam ameaças diretas, violência e impactos ambientais severos (G1, 2025).

Em 2026, uma nova fase de políticas ambientais começou a ser implementada localmente com o programa Floresta+ Amazônia, oferecendo pagamentos a agricultores familiares que preservam áreas de floresta dentro de seus lotes, como mostra a postagem no Instagram reproduzida abaixo:

 

Postagem realizada em 15/6/2026 no perfil oficial da Prefeitura Municipal de Mucajaí sobre o mutirão ambiental do Programa Floresta+ Amazônia. Fonte: Instagram @prefeiturademucajairr. Disponível em: https://tinyurl.com/v56mezf5. Acesso em: 27 set. 2026.

 

A iniciativa representa uma tentativa de transformar a conservação da Floresta Amazônica em fonte de renda e reverter décadas de degradação ambiental, transformando potenciais agentes de promoção de queimadas em agentes da conservação da vegetação nativa da Amazônia.

Todo o município de Mucajaí sofre com as queimadas e o desmatamento há décadas, mas as populações mais atingidas, que mais sofrem com esses processos ilegais, são os indígenas da Terra Yanomami, que ocupa quase metade do município. A fiscalização e a presença de agentes de segurança especializados do Estado são fundamentais para coibir as queimadas e os desmatamentos ilegais.

 

Última atualização em: agosto de 2026.

 

Cronologia

1951 – Criação da Colônia Agrícola Fernando Costa, pelo então governador do antigo Território Federal do Rio Branco, Ene Garcez Reis (PSD-RR), às margens do rio Mucajaí. Primeira onda de ocupação com migrantes nordestinos.

Década de 1970 – Chegada de garimpeiros para exploração de cassiterita na região oeste do município, dentro do território Yanomami.

Década de 1980 – Expansão do garimpo de ouro provoca confrontos violentos com os Yanomami, desmatamento e poluição dos rios com mercúrio.

29 fev. 1996 – Criação dos assentamentos Vila Nova e Sumaúma pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com capacidade para 1.270 famílias.

1999 – Pico de desmatamento anual em Mucajaí: mais de 9 mil hectares são destruídos.

2000 – Novo pico de desmatamento: 16.806 hectares são devastados, segundo o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

2004 – Outro pico de desmatamento registrado; início do uso do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para monitorar áreas acima de 25 hectares.

2008 – Maior pico da série histórica: 21.680 hectares são desmatados.

2012 – Início de uma tendência de queda nos índices de desmatamento anual, até então.

20 jul. 2015 – Reportagem da Folha BV mostra que queimadas em Mucajaí agravam a seca e provocam falta de água para agricultores e colonos. Defesa Civil municipal de Mucajaí e Fundação Estadual do Meio Ambiente de Roraima (Femarh-RR) multam proprietários, mas o controle é insuficiente.

2019 – Roraima registra aumento de 279% no desmatamento em relação a 2018.

– Em Mucajaí, devido à expansão da grilagem, da monocultura da soja e da pecuária.

– Operação da Polícia Federal (PF) desarticula 22 empresas envolvidas em esquema de madeira ilegal de R$ 80 milhões.

– Cortes de recursos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) agravam incêndios florestais.

25 set. 2020 – Advocacia Geral da União (AGU) ajuíza ações cobrando R$ 893 milhões de desmatadores da Amazônia, incluindo casos em Mucajaí, para reparar danos em 35 mil hectares de floresta.

29 abr. 2023 – Agente de saúde indígena Ilson Xirixana é assassinado por garimpeiros armados durante cerimônia fúnebre na Terra Indígena Yanomami.

30 abr. 2023 – Confronto entre agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), fiscais do Ibama e garimpeiros na TI Yanomami. Quatro garimpeiros são mortos.

1º maio 2023 – Coletiva de imprensa em Boa Vista: ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anuncia intensificação das operações contra o garimpo ilegal, com apoio das Forças Armadas, Ibama e PF.

21 fev. 2025 – Reportagem do Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) aponta aumento de 68% no desmatamento da Amazônia em janeiro. Mucajaí aparece entre os dez municípios mais afetados, com mais de 4 km² de floresta devastada.

20 mar. 2025 – Governo federal lança programa de R$ 785 milhões para combater o desmatamento em 70 municípios prioritários na Amazônia, incluindo Mucajaí.

17 jul. 2025 – Instalação de uma base de segurança da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na Vila Samaúma, em Mucajaí, para reforçar o combate ao garimpo ilegal e proteger as comunidades do povo Yanomami.

2024 – Recorde de mais de 10 mil hectares desmatados em Mucajaí, segundo MapBiomas.

15 ago. 2026 – Prefeitura Municipal de Mucajaí divulga mutirão ambiental do programa Floresta+ Amazônia, que oferece pagamentos a agricultores familiares que preservam áreas de floresta.

 

Fontes

ALVES, Ailton. Base de segurança em Mucajaí reforça ações de combate ao garimpo ilegal na Terra Yanomami. G1 Roraima, 21 jun. 2025. Disponível em: https://tinyurl.com/cdcm86x3. Acesso em: 27 ago. 2026.

BAYDOUN, Aysha. Governo destinará R$ 785 milhões para reduzir desmatamento em 70 municípios da Amazônia. Folha de Boa Vista, 21 mar. 2025. Disponível em: https://tinyurl.com/4tstp2h8. Acesso em: 27 ago. 2026.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar – MDA. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra. Assentamentos – Relação de Projetos. Gov.br, Brasília, [s.d.]. Disponível em: https://tinyurl.com/bddc55mk. Acesso em: 27 ago. 2026.

BRASIL. Ministério do Planejamento e Orçamento – MPO. Instituto Brasileiro De Geografia E Estatística – IBGE. Mucajaí – História & Fotos. Cidades@. Disponível em: https://tinyurl.com/35bcbase. Acesso em: 27 ago. 2026.

ESQUER, Michel. Governo intensifica ação contra garimpo na Terra Indígena Yanomami após assassinato de indígena. ((o))eco, 2023. Disponível em: https://tinyurl.com/5c7x6wry. Acesso em: 27 ago. 2026.

INSTITUTO DO HOMEM E MEIO AMBIENTE DA AMAZÔNIA – IMAZON. Ano de 2025 começa com aumento de 68% no desmatamento da Amazônia. Imazon, 2025. Disponível em: https://tinyurl.com/yfry3s2h. Acesso em: 27 ago. 2026.

MADEIRO, Carlos. Roraima: desmatamento revela avanço à última fronteira agropecuária da Amazônia. UOL, 29 nov. 2019. Disponível em: https://tinyurl.com/4brerfrd. Acesso em: 27 ago. 2026.

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MUCAJAÍ,Prefeitura de. PRODUTOR RURAL DE MUCAJAÍ, ATENÇÃO! Começa amanhã, terça-feira (16/06) o mutirão do Floresta+ Amazônia! (…). Mucajaí, 15 jun. 2026. Instagram: @prefeiturademucajairr. Disponível em: https://tinyurl.com/v56mezf5. Acesso em: 27 ago. 2026.

PAES, Caio Freitas. Com o corte de recursos federais, Roraima está à mercê de incêndios florestais em 2019. Mongabay Brasil, 29 jul. 2019. Disponível em: https://tinyurl.com/mpejv83s. Acesso em: 27 ago. 2026.

PIRES, João Paulo. Queimadas e desmatamento em Mucajaí potencializam seca. Folha de Boa Vista, 20 jul. 2015. Disponível em: https://tinyurl.com/ye3ezp2a. Acesso em: 27 ago. 2026.

RICHTER, André. AGU cobra na Justiça R$ 893 milhões de desmatadores da Amazônia. Agência Brasil, 14 set. 2020. Disponível em: https://tinyurl.com/yds57dky. Acesso em: 27 ago. 2026.

XAUD, Maristela Ramalho; XAUD, Haron Abrahim Magalhães. Características do desmatamento em Roraima: análise temporal (2000–2015). In: Anais do XVIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR). São José dos Campos: INPE, 2017. Disponível em: https://tinyurl.com/ys7ej5rj. Acesso em: 27 ago. 2026.

 

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