Presença de madeireiras e grilagem marcam luta do povo indígena Yawanawá por seu território

UF: AC

Município Atingido: Tarauacá (AC)

População: Povos indígenas

Atividades Geradoras do Conflito: Especulação imobiliária, Hidrovias, rodovias, ferrovias, complexos/terminais portuários e aeroportos, Madeireiras

Impactos Socioambientais: Alteração no regime tradicional de uso e ocupação do território, Desmatamento e/ou queimada, Invasão / dano a área protegida ou unidade de conservação

Danos à Saúde: Doenças transmissíveis, Piora na qualidade de vida

Síntese

Os Yawanawá (ou Iauanauá), conhecidos como “povo queixada”, trazem a referência ao mamífero na própria etimologia de seu etnônimo (yawa/queixada; nawa/gente). Assim como as queixadas (ou porco-do-mato), o grupo tem como característica a forte união entre seus membros (Povos Índígenas no Brasil – PIB, 2018).

Habitam a Terra Indígena (TI) Rio Gregório, em Tarauacá (AC), junto a outros povos da família linguística Pano. A saber, a TI Rio Gregório foi a primeira a ser demarcada no estado do Acre, em 1984. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), a TI compreende 187 mil hectares, com 618 habitantes. Além dos Yawanawá, estão presentes indígenas do povo Katukina (ISA, 2026).

Mesmo com a subnotificação em fontes oficiais, violações e tentativas de expropriação, o povo Yawanawá resiste (Hurtado; Porto-Gonçalves, 2022), e tem uma história densa e repleta de conflitos. A trajetória Yawanawá, ao ser resgatada e difundida em obras como a de Aldaiso Luiz Vinnya (2006), traz marcas “das artes, dos rituais, dos mitos, das lendas, da pajelança, [do] uso das plantas medicinais, [dos] cantos sagrados, caçadas e pescarias tradicionais” (p. 10).

A TI Rio Gregório é uma área transfronteiriça, entre Brasil e Peru (ISA, 2018), o que adiciona mais uma camada de conflito ao caso, pois regiões de fronteira são marcadas por tensões espaciais envolvendo forças de segurança dos respectivos países. Além disso, os conflitos envolvendo os Yawanawá são relacionados, sobretudo, à presença de madeireiras na região, incentivadas pela abertura de rodovias que cortam a Amazônia, como a BR-364 (O Eco, 2023).

Apesar do cenário conflitivo, os Yawanawá demonstram força e autonomia, firmando parcerias institucionais e comerciais que, em parte, valorizam ainda mais os conhecimentos e a produção do povo, colocando-os em evidência de forma positiva nacional e internacionalmente.

 

Contexto Ampliado

Em 1977 começou, no âmbito da então Fundação Nacional do Índio (Funai), o processo administrativo que reconheceria os direitos territoriais do povo Yawanawá. Para os estudos necessários, houve a conformação de um grupo de trabalho (GT) coordenado por Alceu Cotia Mariz, historiador, indigenista e servidor da Funai (Página 20, 2006; Agência Ecologia, 2005).

Em 1981, jovens lideranças Yawanawá se mobilizaram, com o apoio da então Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Comissão Pró-Índio do Acre (Cpiac), pelo reconhecimento e demarcação das terras controladas pela Companhia Paranaense Colonização Agropecuária e Industrial do Acre (Paranacre) (BBC, 2019). Em entrevista publicada no jornal “O Varadouro de Rio Branco”, os líderes Luís Iauanauá, Gilson Iauanauá, Antonio Luis Iauanauá, Arnaldo Iauanauá e Raimundo Luis expuseram a situação vivida por seu povo e pelos Katukina nos seringais da Paranacre (Vinnya et al., 2006).

Um ponto importante da história Yawanawá é sua aliança com outros povos, dando origem a casamentos e relações familiares. Citamos aqui: os Katukina, vindos da TI Vale do Javari, no Amazonas; os Arara, da região dos rios Bajé e Tejo, ambos no Acre; os Shanenawa, das proximidades do rio Envira, no Acre; e os Kaxinawá, do rio Tarauacá, homônimo ao município da TI Rio Gregório (Vinnya et al., 2006).

Na mesma ocasião da entrevista citada acima, Raimundo Luis também falou sobre a atuação de missionários estadunidenses do projeto Novas Tribos do Brasil (originalmente New Tribes), com práticas de repressão aos rituais e festas do povo Yawanawá. Segundo a liderança, os norte-americanos se referiam à cultura dos indígenas como “coisas do diabo” (Vinnya et al., 2006, p. 34).

Segundo Biraci Brasil, cacique da Aldeia Nova Esperança, a delimitação da TI pela Funai, entre 1981 e 1982, foi fundamental para a mobilização de retirada dos “donos” de seringais da área. Com o apoio da Comissão Pró-Índio do Acre (Cpiac) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), além da própria Funai, os Yawanawá expulsaram do território tradicional os proprietários e funcionários dos seringais Caxinauá e Sete Estrelas (Vinnya et al., 2006).

Em 1982, um segundo GT foi enviado ao rio Gregório e, nos estudos, foi proposta a delimitação de 92.860 hectares. Dessa forma, o movimento de demarcação da TI Rio Gregório pela Funai ocorreu em 1984, seguindo a recomendação do GT. O registro em cartório foi feito em 1987, seguido da homologação das terras em 1991 (Vinnya et al., 2006; Página 20, 2006; Povos Indígenas no Brasil, 2018).

Com a segurança da demarcação, as famílias passaram a formar aldeias, como Nova Esperança (a primeira), Escondido, Matrinxã, Mutum e Tibúrcio (Vinnya et al., 2006). Nesse contexto, os Yawanawá foram reapresentados, por sertanistas da Funai, aos rituais sagrados abandonados pela influência dos missionários da “Novas Tribos no Brasil”. E, apesar das tentativas de apagamento de sua cultura,  retomaram  o uso da ayahuasca, bebida à base das plantas amazônicas jagube (Banisteriopsis caapi) e chacrona (Psychotria viridis), de propriedades medicinais e alucinógenas (BBC, 2019; Portal Amazônia, 2023).

Em 1993, foi criada a Organização dos Agricultores Extrativistas Yawanawá do Rio Gregório (OAEYRG) para fins de representação política do povo (Vinnya et al., 2006). No início dos anos 2000, os indígenas se mobilizaram pela demanda de revisão dos limites da TI Rio Gregório, pois, na demarcação de 1984, ficaram de fora dos 92,8 mil hectares localidades importantes para os Yawanawá, como cemitérios, igarapés, nascentes e poços (Página 20, 2006).

Sendo assim, em 2003 a Funai, por meio da Coordenação Geral de Identificação e Delimitação (Cgid), realizou um levantamento na TI legitimando a necessidade de revisão e ampliação dos limites territoriais (Página 20, 2006).

No ano seguinte, 2004, os Yawanawá foram a Brasília (DF) solicitar à Funai que realizasse os estudos que faltavam para a efetivação do processo. Foi formado, então, um terceiro GT, dessa vez para revisar a delimitação da TI.

O GT, à época, foi coordenado pelo antropólogo Ney José Maciel, e tinha como missão a realização de estudos ambientais, antropológicos, cartográficos e fundiários (Página 20, 2006). Neste mesmo período, os Yawanawá passaram a realizar rituais sagrados, como o Mariri e o Yawá, de forma aberta para o público, atraindo visitantes de dentro e fora do Brasil (BBC, 2019).

Entre 25 e 30 de julho de 2005, os Yawanawá foram surpreendidos pela notícia de que um empreendimento seria construído ao redor da TI Rio Gregório envolvendo manejo florestal e industrialização de madeira. A empresa responsável pelo projeto, Tinderacre, pertencia ao apresentador de televisão Carlos Massa, o “Ratinho”. Ao todo, o investimento chegaria R$ 25 milhões (Amazônia.org, 2005; OAEYRG; Coopyawa, 2005).

Em 31 de julho de 2005, o portal de notícias A Tribuna – Rio Branco (AC) noticiou que a empresa de Carlos Massa havia comprado uma área de 270 mil hectares na região da Fazenda Paranacre (homônima à empresa controladora dos antigos seringais) (A Tribuna, 2005).

Em 13 de setembro deste mesmo ano, a OAEYRG, junto à Cooperativa Agroextrativista Yawanawá (Coopyawa), divulgou uma carta aberta em resposta à tentativa de entrada da madeireira. No documento, os indígenas relembraram episódios da luta por suas terras e se posicionaram firmemente contra o empreendimento. Destacamos três dos oito pontos:

“3) Já deixamos bem claro ao Sr. Henrique Corinto Moura, diretor do Instituto de Terras do Acre (Iteracre), com o qual nos reunimos há menos de um mês, que avisasse aos sócios da Tinderacre, ou qualquer outra empresa interessada em comprar, vender ou fazer qualquer investimento em nosso território, que as nossas terras não estão à venda nem disponíveis para investimento de qualquer natureza; 4) Não manteremos qualquer diálogo ou negociação que envolva nossos territórios, pois consideramos vital que nossos ancestrais descansem em paz; 5) Nos preocupa a chegada de empresas do sul do país, que usam como fachada o manejo florestal e o desenvolvimento sustentável, mas na verdade vão saquear riquezas existentes em nosso estado, deixando miséria e pobreza para as populações indígenas.”

No mês seguinte, outubro de 2005, o relatório produzido em 2004 pelo GT da revisão de limites da TI foi entregue à Coordenação Geral de Identificação e Delimitação (Cgid) da Funai. No documento, ficou explícito o aumento populacional dos Yawanawá e Katukina, que entre os levantamentos de 1977 e 2004 foram, respectivamente, de 135 e 65 para 520 e 76 (Página 20, 2006).

Em março de 2006, o governo estadual do Acre, sob gestão de Jorge Viana (PT), tentou firmar um acordo formal com a Radan Administração e Participação Ltda., acionista da Tinderacre. No acordo, seria garantida a continuidade de posse de 28,6 mil hectares contidos na revisão de limites da TI Rio Gregório (Página 20, 2006).

Em contrapartida, assegurando os direitos indígenas, em 03 de abril de 2006 foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) o acolhimento, por parte da Funai, das indicações do Relatório Circunstanciado produzido pela equipe de Ney José Maciel. No texto, também ficou determinada a publicação, nos diários oficiais da União e do Estado do Acre, do resumo do Relatório Circunstanciado, Memorial Descritivo, Mapa e Despacho referente ao processo (DOU, 2006; Página 20, 2006).

Como resultado, a TI Rio Gregório se expandiu em volta do rio homônimo, em Tarauacá (AC), e passou a ter 187.395 hectares (Página 20, 2006; Vinnya et al., 2006). Nos novos limites, além das localidades reivindicadas inicialmente, foram incorporadas as aldeias Escondido, Matrinchã, Mutum, Nova Esperança e Tibúcio, além da aldeia Timbaúba, dos Katukina, que compartilham a TI com os Yawanawá (Página 20, 2006).

Como forma de celebrar o avanço na garantia de seus direitos, entre 25 e 28 de julho de 2006 os indígenas realizaram novamente o Festival de Cultura Yawanawá. A quinta edição do evento contou com o então governador Jorge Viana (PT) e o secretário de Estado de Educação do Acre (SEE-AC), Binho Marques. Segundo o cacique da Aldeia Nova Esperança, Biraci Brasil, a SEE-AC foi uma grande aliada na construção das salas de aula da Escola Yva Styvu, localizada nos limites da aldeia (Página 20, 2006).

No contexto da disputa da Tinderacre por terras localizada na TI Rio Gregório, em 2009, o apresentador e sócio da empresa, Carlos Massa, informou a Funai que “doaria” 50 mil – dos quase 180 mil – hectares de “suas” terras para os Yawanawá, que já haviam comunicado, em carta aberta, o caráter inegociável de seu território (Blog do Altino Machado, 2005; Contilnet, 2021).

Em 2010, a Radan Administração e Participação Ltda. foi autorizada pelos governos federal e estadual do Acre a explorar madeira às margens da BR-364, na Floresta Estadual do Mogno. Nesse sentido, os Yawanawá protestaram contra o projeto, indicando que fechariam a estrada caso não tivessem seus direitos respeitados pelo poder público (Contilnet, 2021).

Anos depois, em 2018, o apresentador Ratinho, em entrevista, afirmou possuir 200 mil hectares de terra na região de Tarauacá (AC). O imóvel, segundo o sócio da Tinderacre, é vizinho da TI Rio Gregório e tem extensão semelhante ao perímetro demarcado pela Funai após a revisão de limites, de 187 mil hectares (Contilnet, 2021; Terras Indígenas no Brasil, 2026).

No tocante às tentativas de preservação não só da TI Rio Gregório, mas de toda a Amazônia brasileira, a partir de 2019 o Ministério Público Federal (MPF) passou a coordenar Ações Civis Públicas (ACP) contra a abertura de rodovias na região da fronteira Brasil-Peru. Dos projetos, de responsabilidade do governo federal e e do estado do Acre, destaca-se a interligacão de Cruzeiro do Sul (AC) com Pucallpa, em Ucayali, Peru. Com a justificativa de “tirar municípios do isolamento geográfico”, novas rodovias na região apresentam grande potencial devastador, colocando em risco TIs e Unidades de Conservação (UCs) (O eco, 2023).

Em gráfico produzido a partir de dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes Brasil), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é possível observar que em 2019 houve um pico de desmatamento na TI Rio Gregório, o maior nível desde 2002 e 2003 (Terras Indígenas no Brasil, 2026).

 

Área desmatada na TI Rio Gregório, por ano (2001-2024). Fonte: Terras Indígenas no Brasil, 2026. Disponível em: https://shre.ink/Lc3u. Acesso em: 17 abr. 2026.

 

Em 2021, durante a pandemia de covid-19, foi lançado o Plano de Vida Yawanawá, em parceria com a organização Conservação Internacional, que une projetos de conservação cultural, autonomia econômica e garantia do bem-viver nas aldeias da TI Rio Gregório. Entre as medidas planejadas, destacava-se o fortalecimento da produção nos roçados e da criação de animais, consideradas pelos povos indígenas formas de resistência à expansão pecuária e exploração madeireira observadas na região em torno da BR-364 (Amazônia Real, 2021).

Ainda, no Plano de Vida Yawanawá, os indígenas desejavam remodelar o movimento de etnoturismo nas aldeias, entendendo que a atividade era a maior geradora de lucro para os indígenas da TI Rio Gregório (Amazônia Real, 2021). Para Laura Yawanawá, coordenadora da Associação Sociocultural Yawanawa (ASCY):

“Turismo é uma palavra um pouco agressiva. Agressiva ambientalmente, socialmente e culturalmente. Então a gente quer encontrar uma palavra própria, que se aplique a nós. Seria um programa de intercâmbio, de reciprocidade entre pessoas de fora e os Yawanawá”.

Laura afirmou à agência de notícias Amazônia Real (2021) que seu povo estaria retornando ao seu modelo tradicional de arquitetura, baseado em materiais encontrados na TI. Para a liderança da ASCY, a recuperação tem como principal objetivo a redução da utilização de materiais de construção “de fora” da floresta amazônica (Amazônia Real, 2021).

Em 2023, o MPF encaminhou mais uma ACP ao Judiciário solicitando que povos indígenas fossem indenizados em R$ 10 milhões pelos impactos causados durante e em decorrência da pavimentação da BR-364, entre Cruzeiro do Sul (AC) e Rio Branco (AC), entre 1998 e 2014 (O Eco, 2023). Além dos Yawanawá e Katukina da TI Rio Gregório, estima-se que os impactos tenham atingido outras TIs ao longo da rodovia, como a TI Katukina/Kaxinawá, no município de Feijó (AC); a TI Kaxinawá da Colônia 27, no município de Tarauacá (AC); a TI Igarapé do Caucho, entre Feijó (AC) e Tarauacá (AC); e a TI Kaxinawá Praia do Carapanã, também em Tarauacá (AC) (O Eco, 2023).

Em 2024, fortes chuvas no Acre elevaram o nível dos rios Gregório e Tarauacá, na região da TI Rio Gregório. Segundo o cacique Biraci Brasil, da Aldeia Nova Esperança, a subida da água foi repentina e atingiu níveis jamais vistos naquela localidade, indicando um período de “grande cheia”. Apesar da retirada dos pertences de um membro da comunidade e do deslocamento do gado, não houve consequências graves para os Yawanawá (Acre 24 Horas, 2024).

Até a última atualização deste caso, em abril de 2026, os Yawanawá seguem protagonizando ações de resistência a partir da preservação de sua cultura e desenvolvimento socioeconômico de suas aldeias. Em março desse ano, o portal G1 publicou reportagem sobre o Ateliê Yawa, fundado em 2022 na Aldeia Nova Esperança (G1, 2026).

No ateliê, mulheres yawanawá produzem, com tintas naturais, estampas a partir dos grafismos tradicionais do povo. Utilizando linho ecológico como principal tecido, essas mulheres, de forma remunerada, eternizam as tradições cultural e espiritual dos Yawanawá, que têm nas artes manuais uma de suas principais características (G1, 2026; Vinnya et al., 2006).

O Ateliê Yawa lançou sua primeira coleção autoral em 2025. A etapa de corte e costura das peças produzidas ficou por conta da Maloca, organização apoiadora que articula ideias e execução de projetos de empreendedorismo indígena, criada na região serrana do Rio de Janeiro (RJ). Nos planos futuros, há o desejo de construir um local físico de produção e venda das peças dentro da aldeia, para que todo o processo produtivo, da criação à comercialização, ocorra dentro do território dos Yawanawá (G1, 2026).

 

Última atualização em: abril de 2026.

 

Cronologia

1981 – Jovens lideranças do povo Yawanawá se mobilizam pela demarcação de suas terras.

1984 – Terra Indígena (TI) Rio Gregório é oficialmente demarcada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), com 92.860 hectares.

1992 – Famílias indígenas passam a formar aldeias, e é criada a primeira delas: Nova Esperança.

1993 – É criada a Organização dos Agricultores Extrativistas Yawanawá do Rio Gregório (OAEYRG).

Novembro de 2004 – Funai forma Grupo Técnico (GT) de revisão de limites da TI Rio Gregório, sob a coordenação do antropólogo Ney José Maciel.

25 a 30 de julho de 2005 – Yawanawá tomam conhecimento do empreendimento a ser construído ao redor da TI Rio Gregório, pela empresa Tinderacre, que tem o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, como um de seus sócios.

31 de julho de 2005 – É noticiada a compra de 270 mil hectares da antiga seringueira Paranacre pela madeireira Tinderacre.

13 de setembro de 2005 – É publicada pelos indígenas, por meio da OAEYRG e da Cooperativa Agroextrativista Yawanawá (Coopyawa), carta aberta em repúdio ao projeto da Tinderacre.

Outubro de 2005 – Relatório produzido pelo GT da revisão de limites da TI é entregue à Coordenação Geral de Identificação e Delimitação (CGID) da Funai, indicando a inclusão de localidades sagradas para os povos Yawanawá e Katukina.

Março de 2006 – Governo do Acre tenta firmar acordo de concessão de terras com a Radan Administração e Participação LTDA, acionista da Tinderacre.

03 de abril de 2006 – É publicada no Diário Oficial da União (DOU), pela Presidência da Funai, a oficialização das conclusões do Relatório Circunstanciado produzido pelo GT coordenado por Ney José Maciel. TI Rio Gregório tem sua extensão aumentada para 187.395 hectares.

25 a 28 de julho de 2006 – É realizada a quinta edição do Festival de Cultura Yawanawá, dentro da TI Rio Gregório.

2009 – Apresentador e sócio da Tinderacre, Carlos Massa, o “Ratinho”, declara que “doará” 50 mil hectares de terra para os Yawanawá. As terras que Massa prometeu já são parte dos 187,4 mil hectares da TI Rio Gregório.

2010 – Povo Yawanawá protesta contra a autorização dada pelos governos federal e estadual do Acre à Radan Administração e Participação LTDA para exploração de madeira às margens da BR-364.

2019 – São encaminhadas à Justiça as primeiras Ações Civis Públicas (ACP) do Ministério Público Federal (MPF) contra a abertura de rodovias na fronteira Brasil-Peru.

2021 – É divulgado o Plano de Vida Yawanawá, elaborado em parceria com a Conservação Internacional.

2023 – MPF encaminha mais uma ACP ao Judiciário solicitando que povos indígenas sejam indenizados em R$ 10 milhões pelos impactos causados pelas obras de pavimentação da BR-364 e de sua operação.

Março de 2024 – Chuvas no Acre aumentam o nível dos rios Gregório e Tarauacá, atingindo a Aldeia Nova Esperança, sem consequências graves.

2025 – É lançada a primeira coleção autoral de roupas do Ateliê Yawá.

 

Fontes

ASSUNÇÃO, Sandra. Rio Gregório enche e alcança terra indígena dos Yawanawás. Acre 24 Horas, Rio Branco, 23 mar. 2024. Disponível em: https://shre.ink/AM5A. Acesso em: 02 mar. 2026.

BRASIL. Fundação Nacional do Índio (Funai). Despacho do Presidente Nº 26, de 03 de abril de 2006. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 64, p. 34, 03 abr. 2006. Disponível em: https://shre.ink/AMLz. Acesso em: 02 mar. 2026.

FELLET, João. Da escravidão à autonomia em 50 anos: a história de renascimento dos índios Yawanawá. BBC, São Paulo, 16 nov. 2019. Disponível em: https://shre.ink/AMqq. Acesso em: 02 mar. 2026.

GIL, Laura Pérez; NAVEIRA, Miguel Carid. Yawanawá. Povos Indígenas no Brasil. Instituto Socioambiental, 13 jul. 2018. Disponível em: https://shre.ink/AMod. Acesso em: 02 mar. 2026.

HURTADO, Lina Maria; PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. Resistir y Re-existir. GEOgraphia, Niterói, v. 24, n. 53, 2022. Disponível em: https://shre.ink/Lc0D. Acesso em: 17 abr. 2026.

ÍNDIOS reivindicam terras que Ratinho comprou no Acre. Amazônia.org (Republicado por Instituto Socioambiental), São Paulo (SP), 13 set. 2005. Disponível em: https://shre.ink/Lc6x. Acesso em: 17 abr. 2026.

INICIATIVA cria ateliê para fortalecimento do protagonismo das mulheres Yawanawá no Acre. G1 AC, Rio Branco, 01 mar. 2026. Disponível em: https://shre.ink/AM5H. Acesso em: 02 mar. 2026.

MACIEL, Ney José Brito. Integridade territorial Yawanawá: uma questão de reparação e justiça. Papo de Índio, Jornal Página 20, Rio Branco (AC), 5-6 mar. 2006. Disponível em: https://shre.ink/Lc0H. Acesso em: 17 abr. 2026.

MAIA, Tião. Índios acusam apresentador Ratinho de grilagem em terras no AC: “Nos pertence”. Contilnet, 23 jul. 2021. Disponível em: https://shre.ink/AMqs. Acesso em: 02 mar. 2026.

MORIYAMA, Victor. A jornada de um pajé na Amazônia brasileira. Nexo, 21 dez. 2024. Disponível em: https://shre.ink/AM5I. Acesso em: 02 mar. 2026.

ORGANIZAÇÃO DOS AGRICULTORES EXTRATIVISTAS YAWANAWÁ DO RIO GREGÓRIO; COOPERATIVA AGROEXTRATIVISTA YAWANAWÁ. Carta aberta sobre a compra da terra indígena Yawanawá pela empresa Tinderacre, do apresentador de TV Carlos Massa, o Ratinho. Blog do Altino Machado, Rio Branco, 13 set. 2005. Disponível em: https://shre.ink/AMoL. Acesso em: 02 mar. 2026.

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UMA vida dedicada à Funai. Panorama Ambiental (Republicado por Agência Ecologia), Brasília (DF), out. 2005. Disponível em: https://shre.ink/Lc6z. Acesso em: 17 abr. 2026.

VINNYA, Aldaiso Luiz; OCHOA, Maria Luiza Pinedo; TEIXEIRA, Gleyson de Araújo (Orgs.). Costumes e Tradições do Povo Yawanawá. Comissão Pró-Índio do Acre / Organização dos Professores Indígenas do Acre, Rio Branco, 2006. Disponível em: https://shre.ink/AMqu. Acesso em: 02 mar. 2026.

 

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