






Acampamento Leonir Orback enfrenta ameaças como despejos judiciais, repressão policial e conflitos com o agronegócio enquanto se destaca pela produção de alimentos agroecológicos e pela promoção de ações solidárias
UF: GO
Município Atingido: Santa Helena de Goiás (GO)
Outros Municípios: Aparecida do Rio Doce (GO), Maurilândia (GO), Quirinópolis (GO), Rio Verde (GO)
População: Agricultores familiares, Trabalhadores rurais sem terra
Atividades Geradoras do Conflito: Agroindústria, Agrotóxicos, Monoculturas
Impactos Socioambientais: Contaminação ou intoxicação por substâncias nocivas, Poluição de recurso hídrico, Poluição do solo
Danos à Saúde: Contaminação por agrotóxico, Doenças respiratórias, Insegurança alimentar, Piora na qualidade de vida, Violência – lesão corporal, Violência psicológica
Síntese
O Acampamento Leonir Orback, localizado em Goiás, no município de Santa Helena, é uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizada em 31 de julho de 2016, com o objetivo de reivindicar acesso à terra e promover a reforma agrária. O acampamento recebe o nome de Leonir Orback, um jovem militante de 25 anos do acampamento Dom Tomás Balduíno, que foi morto pela Polícia Militar em 2016, durante outra ocupação em Quedas do Iguaçu, Paraná (Martins et al., 2022).
Desde sua formação, o acampamento se destacou pela produção de alimentos agroecológicos, cultivando hortas, frutíferas e criando animais, além de promover ações solidárias com o excedente da produção desses cultivos. Conforme publicação de Joana Martins, Ana Luiza Nobre e David Sperling, a ocupação é uma resposta à histórica concentração fundiária no Brasil, onde menos de 1% das propriedades agrícolas detém quase metade da terra rural.
O MST luta contra essa desigualdade e, desde 1984, já assentou mais de 350 mil famílias no país inteiro. A região onde está situado o acampamento é marcada pela forte presença do agronegócio e por conflitos agrários, refletindo as desigualdades territoriais do estado de Goiás (Martins et al., 2022).
O Acampamento Leonir Orback enfrenta uma série de ameaças, entre as quais estão os despejos judiciais e a desocupação determinada em 2020, quando o juiz de primeira instância, Thiago Brandão Boghi, ordenou que as famílias deixassem o local em 48 horas, ignorando decisões anteriores que protegiam os acampados.
Segundo o MST, a repressão policial também se destaca, com ações violentas, como uma megaoperação em 08 de julho de 2020, que resultou em prisões e agressões, buscando intimidar e desarticular o movimento (CPT, 2020). Além disso, os conflitos com o agronegócio são constantes, especialmente devido à disputa pela terra com a Usina Santa Helena, pertencente ao grupo Naoum (Tatemoto, 2017).
A questão agrária nessa região é marcada por disputas intensas, com a atuação de organizações como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o MST e o o Movimento Terra Livre (MTL), que enfrentam desafios diante da concentração fundiária e da atuação do agronegócio (Gomes, 2020). O acampamento conta com o apoio da Universidade Federal de Jataí (UFJ) e do Instituto Federal Goiano de Rio Verde (IFG), que ofereceram suporte jurídico e agrícola (Fernandes et al., 2022).
Contexto Ampliado
O Acampamento Leonir Orback é uma ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no estado de Goiás. Fica localizado às margens da rodovia GO-210, que está sendo duplicada para facilitar o transporte de grãos das monoculturas da região (Mathias, 2025). Ele ocupa as terras da Usina Santa Helena, localizada em Santa Helena de Goiás/GO.
Este acampamento se tornou conhecido por ser referência na produção de alimentos agroecológicos produzidos pelas famílias em suas hortas, quintais frutíferos e criações de aves e suínos. O excedente da produção é trocado ou doado em ações solidárias (CPT Góias, 2023).
A comunidade cultiva uma diversidade de alimentos essenciais, como milho, feijão, mandioca, abóbora e gergelim, além de produzir derivados como farinha e polvilho, garantindo tanto o consumo próprio quanto a geração de renda. Essa produção é organizada coletivamente, baseada nos princípios da economia solidária, promovendo o compartilhamento de recursos e o fortalecimento da autonomia das famílias.
Paralelamente às áreas de plantio coletivo, cada família mantém hortas, quintais agroflorestais com árvores frutíferas e pequenas criações de animais, como aves e suínos. Essas atividades ampliam a segurança alimentar da comunidade e permitem o aproveitamento do excedente para trocas com outras comunidades e para ações de solidariedade, reforçando os laços sociais e econômicos entre os acampados.
Além disso, essa organização integrada valoriza a biodiversidade local, promove a regeneração do solo e incentiva práticas agrícolas sustentáveis, que refletem o compromisso do acampamento com a preservação ambiental e a construção de um modelo de vida baseado na coletividade e na sustentabilidade (CPT Goiás, 2023).
Durante a pandemia de covid-19, a produção coletiva no Acampamento Leonir Orback foi intensificada, garantindo a segurança alimentar da comunidade em um momento de crise sanitária e econômica. A mobilização das famílias permitiu atender às suas necessidades básicas e ampliar as ações de solidariedade para além dos limites do acampamento.
Nesse período desafiador, mais de uma tonelada de alimentos foi doada às periferias de Santa Helena, beneficiando famílias em situação de vulnerabilidade e fortalecendo os vínculos entre o acampamento e outras comunidades locais (CPT Goiás, 2023).
Essa iniciativa foi mais do que um ato emergencial: ela simbolizou o compromisso contínuo do acampamento com a justiça social e a economia solidária. Ao priorizar a produção agroecológica e a distribuição justa de alimentos, o grupo respondeu às demandas imediatas da pandemia e reafirmou sua visão de um modelo de convivência baseado no apoio mútuo e na sustentabilidade.
Esse esforço consolidou o acampamento como uma referência regional em práticas que integram solidariedade, segurança alimentar e a luta por direitos, demonstrando como as ações coletivas podem transformar adversidades em oportunidades de resistência e fortalecimento comunitário (CPT Goiás, 2023).
O Acampamento Leonir Orback foi organizado em 31 de julho de 2016, quando aproximadamente 400 famílias mobilizadas pelo MST ocuparam a chamada “Fazenda Ouro Branco”, uma área sob posse litigiosa da Usina Santa Helena de Açúcar e Álcool S/A, que no período estava em processo de recuperação judicial.
Com pauta de luta pela democratização de acesso à terra, a ocupação tinha como objetivo inicial denunciar os crimes atribuídos ao Grupo Naoum, gestor da usina e responsável por uma dívida bilionária com bancos públicos. Por conta disso, reivindicava a destinação da área para a reforma agrária como forma de quitação de tributos devidos à União (CPTGoiais, 2023).
O acampamento recebeu esse nome para homenagear o trabalhador rural sem terra Leonir Orback, do acampamento Dom Tomás Balduíno, uma das vítimas fatais de uma ação de policiais militares e grupos de elite da Polícia Militar (PM) ocorrida na tarde do dia 7 de abril de 2016 em Quedas do Iguaçu, no estado do Paraná (MST, 2019; Fernandes et al., 2022). Ele tinha 25 anos.
A concentração fundiária no Brasil remonta ao período colonial (Martins et al., 2022) e permanece uma realidade marcante. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE (2017), o índice de Gini da distribuição da terra no país foi de 0,73, evidenciando uma das maiores desigualdades fundiárias do mundo.
Essa desigualdade é mais acentuada em estados com predominância da produção de commodities em grandes propriedades, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, e a região do Matopiba (um acrônimo que denomina a área que se estende por territórios de quatro estados do Brasil, formado com as primeiras sílabas dos nomes deles: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
A desigualdade é menor em locais com maior presença da agricultura familiar, como Amapá, Espírito Santo e Santa Catarina (Idace, 2020). Diante desse cenário, Joana Martins, Ana Luiza Nobre e David Sperling (2022) destacam que a ocupação de terras é uma estratégia de enfrentamento à concentração fundiária. Desde 1984, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem atuado nessa luta, assentando mais de 350 mil famílias ao longo de sua trajetória (Martins et al., 2022).
De acordo com a pesquisadora Roseli Salete Caldart (2001), o MST é reconhecido como o principal movimento social rural no Brasil, e um dos mais relevantes no cenário mundial. Sua atuação está intrinsecamente ligada à problemática agrária, marcada por questões estruturais e históricas brasileiras.
O movimento tem como objetivos centrais a luta pela terra e pela implementação da reforma agrária, buscando assegurar a territorialização das famílias camponesas. Para alcançar esses propósitos, o MST utiliza como estratégia principal a ocupação de terras e a formação de acampamentos (Caldart, 2021 apud Fernandes et al., 2022).
Posteriormente, a agroecologia e o desenvolvimento sustentável tornaram-se também algumas das principais bandeiras do MST, fortalecendo a transformação dos assentamentos em espaços voltados para a produção, cooperação e preservação ambiental. Nesse contexto, um dos compromissos centrais do movimento na luta pela terra e pela reforma agrária é o enfrentamento à monocultura e ao uso de agrotóxicos. Assim, o MST tem intensificado o incentivo à produção agroecológica nos assentamentos e acampamentos, promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis e integradas ao meio ambiente (Fernandes et al., 2022).
Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2019), o estado de Goiás possui uma área territorial de 340.203,329 km², representando cerca de 4% do território nacional e sendo o sétimo maior estado do Brasil em extensão. Localizado na região Centro-Oeste, Goiás abriga uma população de 7.113.540 habitantes distribuídos em 246 municípios, com uma densidade demográfica de 17,65 habitantes por quilômetro quadrado.
O Produto Interno Bruto (PIB) do estado gira em torno de R$ 100 bilhões, destacando-se a pecuária e a produção de commodities agrícolas como setores expressivos, impulsionados pelo modelo do agronegócio (Fernandes et al., 2022).
O município onde se encontra o acampamento está situado no Sudoeste Goiano, uma das regiões administrativas do estado de Goiás. Reconhecida como o berço do agronegócio, essa região caracteriza-se por uma estrutura fundiária altamente concentrada, reunindo os principais municípios produtores de grãos do estado. A produção local é marcada por um alto nível de mecanização e destaca-se nacionalmente tanto pela produtividade agrícola quanto pela pecuária (Gomes, 2020 apud Fernandes et al., 2022).
Segundo o pesquisador Fernando Carlos Alves Silva (2015), o Sudoeste Goiano está inserido na lógica do Brasil agrícola moderno, com territórios conectados por fluxos de capital e alta produtividade agrícola (Silva, 2015 apud Gomes, 2020). Para ele, as regiões de planejamento do estado de Goiás refletem as desigualdades territoriais, ilustradas principalmente ao observar o desenvolvimento das regiões onde o agronegócio é mais expressivo em detrimento das demais.
Em seu estudo, Silva explica que o eixo sul do estado foi integrado ao circuito produtivo do Sudeste do Brasil, o que alavancou suas oportunidades de crescimento, uma das principais justificativas para as disparidades regionais em Goiás (Fernandes et al., 2022).
Apesar de ser reconhecida como o centro do agronegócio e apresentar elevados índices de concentração fundiária, a região também abriga uma quantidade significativa de pequenas propriedades, voltadas principalmente para a produção de alimentos (Fernandes et al., 2022). No total, o estado de Goiás abriga mais de 6.500 famílias de trabalhadores rurais sem terra que estão acampadas e engajadas na luta pela reforma agrária (Ferreira,2019).
No estudo realizado por Noemi Gomes (2020), é retratado que a atuação dos vários movimentos sociais presentes em terras goianas se mostra tardia em relação ao ocorrido em outros estados, mas há também a identificação de que o MST contribuiu, junto a outras entidades, para o processo de luta por terras em Goiás (Gomes, 2020).
A questão agrária na região do Sudoeste Goiano é marcada por intensas movimentações e disputas, nas quais organizações como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o Movimento Terra Livre (MTL) são importantes.
A CPT, por exemplo, oferece suporte aos movimentos camponeses em Goiás. No entanto, suas ações na região enfrentam grandes desafios devido à expressiva presença do agronegócio e de suas agroindústrias, que fortalecem uma dinâmica de concentração fundiária e dificultam a efetivação de políticas voltadas à reforma agrária (Gomes, 2020).
Esses entraves estruturais tornam o avanço das mobilizações camponesas ainda mais complexo, como evidenciam as ocupações realizadas nos últimos anos na região. Em 2014, o Movimento Terra Livre (MTL) ocupou duas fazendas em Quirinópolis/GO que estavam em pendência com o Banco do Brasil, mas a ação foi rapidamente reprimida com despejos.
No ano seguinte, em 2015, o MTL tentou outra ocupação na Fazenda São João, em Aparecida do Rio Doce/GO, demandando ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a investigação da propriedade.
Em 2016, a Fazenda Campolina, em Jataí, foi ocupada pelo mesmo movimento sob a justificativa de pendências judiciais, enquanto no município de Maurilândia/GO as ocupações buscavam conquistar terras para reforma agrária. Nesse contexto, ainda em 2016, o MST realiza a ocupação de parte da área da Usina Santa Helena, que culmina com a formação do acampamento Leonir Orback (Gomes, 2020).
A pesquisa de Ana Bárbara Fernandes, Edevaldo Aparecido Souza, Vandervilson Alves Carneiro e Jean Carlos Vieira Santos (2022) investigou o processo de formação do Acampamento Leonir Orback, que teve origem nas mobilizações do assentemento Padre Josino de Jataí. De acordo com os relatos coletados em campo, em 2015, o grupo estava instalado nas terras pertencentes ao grupo Naoum, próximo à cidade de Rio Verde/GO, em um local conhecido como Várzea da Ema.
Contudo, em abril de 2016, o movimento enfrentou uma forte repressão, que resultou na prisão de um dos acampados e levou muitas pessoas a abandonarem a luta (Fernandes et al, 2022). O município de Rio Verde também tem uma referência de enfrentamento ao agronegócio e à contaminação por agrotóxico pelo Projeto de Assentamento “Pontal dos Buritis” (confira neste Mapa de Conflitos, conforme link acima).
Diante desse cenário, no final de maio de 2016, o grupo decidiu deixar a área e alugar um terreno em Douradinho, também próximo a Rio Verde, como forma de reorganizar suas estratégias e ações de resistência. Inicialmente, cerca de 30 famílias permaneceram no local, mas, gradualmente, outras que haviam desistido começaram a retornar. Após dois meses, o grupo retomou as ocupações, estabelecendo-se nas terras então sob posse da Usina Santa Helena, onde se encontram atualmente (Fernandes et al., 2022).
Em 31 de julho de 2016, integrantes do movimento vindos de Caldas Novas/GO, Catalão/GO, Corumbá/GO e Goiâni/GO se deslocaram para o atual acampamento para fortalecer a organização e a luta que se iniciava. No dia seguinte, por volta das 9 horas, policiais chegaram para cumprir uma ordem de despejo do poder judiciário, mas a presença de advogados do movimento e de um representante do Núcleo de Direitos Humanos impediu qualquer ação contra os acampados (Fernandes et al., 2022).
Este núcleo foi criado em Rio Verde com o objetivo de acompanhar, intervir e fortalecer a luta, bem como evitar as constantes ordens de despejo operadas pelo poder judiciário. Ele conta com professores, advogados e integrantes do curso de direito e pós-graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG) (Gomes, 2020).
O acampamento contou com o apoio da Universidade Federal de Jataí (UFJ) e do Instituto Federal Goiano de Rio Verde (IFG), que ofereceram suporte nas áreas jurídica e agrícola. Nos primeiros meses de sua formação, os acampados organizavam rondas diárias com a participação de cerca de 15 pessoas, utilizando um posto de observação, montado pelos acampados, que posteriormente foi desativado. Essas rondas garantiam a integridade do grupo, especialmente devido à presença de seguranças enviados pelos diretores da usina, que realizavam vigilância constante na área (Fernandes et al., 2022).
No acampamento, as atividades e tarefas são organizadas em setores, chamados Núcleos de Base (NB), que abrangem áreas como alimentação, formação, religião, direitos humanos, finanças, saúde, educação, produção, segurança e infraestrutura. Cada setor é coordenado por uma dupla, composta sempre por um homem e uma mulher, tentando assegurar uma divisão equilibrada de responsabilidades. Ao chegar no acampamento, cada novo integrante deve escolher em qual setor deseja contribuir (Fernandes et al., 2022).
Em geral, todos os sábados pela manhã, cada setor realiza reuniões internas para discutir demandas e organizar seu planejamento. No período da tarde, os coordenadores de todos os setores se reúnem para trocar informações gerais sobre o acampamento, abordando questões como custos, necessidades de mutirões, solicitações de apoio, planejamento de lutas, passeatas e outras ações coletivas. Essas reuniões são fundamentais para alinhar as estratégias e garantir a coesão organizacional (Fernandes et al., 2022).
As plenárias são organizadas em seis Núcleos de Base, cada um nomeado em homenagem a figuras ou eventos históricos marcantes na luta por direitos, como mártires e locais de resistência. No Acampamento Leonir Orback são homenageados/as a irmã Dulce, Frida Kahlo, Eldorado dos Carajás, irmã Dorothy, Hélio Norberto e Rosa Luxemburgo.
Além das reuniões, alguns desses núcleos também promovem atividades sociais e culturais, como forrós, leilões e pamonhadas, com o objetivo de fortalecer a convivência comunitária e arrecadar fundos. (Fernandes et al., 2022).

Para entender as ameaças vividas pelo acampamento, é importante situar o contexto da Usina Santa Helena, que enfrenta um prolongado processo de recuperação judicial há aproximadamente uma década. A empresa pertence ao grupo Naoum e acumula uma série de dívidas, incluindo pendências trabalhistas e tributárias. Uma parte dessas obrigações financeiras está ligada a empréstimos obtidos em bancos públicos, como os mais de R$ 700 milhões recebidos do Banco do Brasil (Tatemoto, 2017).
Este grupo possuía 22 mil hectares de terras, dos quais 5.800 hectares foram confiscados pelo governo federal como forma de pagamento de dívidas trabalhistas e com a União. O MST defendia que essas terras fossem destinadas à reforma agrária.
Contudo, em 2017, o juiz de primeira instância de Santa Helena, Thiago Brandão Boghi, aprovou a recuperação judicial da usina, permitindo que as terras retornassem ao controle dos usineiros, que receberam um prazo de dez anos para quitar as dívidas. No entanto, ao final de 2020, a mesma autoridade judicial decretou a falência da empresa, devido ao descumprimento total do acordo estabelecido (Ferreira, 2019; Fernandes et al., 2022).
Em 2017, por meio de um processo de execução fiscal movido na Justiça Federal em Anápolis, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) solicitou a adjudicação das terras da Usina, com o objetivo de transferi-las ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Embora a solicitação tenha sido inicialmente aceita pelo juízo, a Usina entrou com recurso. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao avaliar o caso, anulou a decisão, afirmando que a competência para deliberar sobre a questão caberia ao juiz responsável pelo processo de recuperação judicial, na esfera da Justiça estadual (Tatemoto, 2017).
A Usina argumentou que a execução fiscal violava a ordem de preferência dos credores no processo de recuperação judicial. Contudo, o procurador Valter Ventura Vasconcelos Neto contestou, afirmando que a regularidade fiscal, premissa para a recuperação judicial, não foi cumprida pela empresa (Tatemoto, 2017).
Em meio aos conflitos envolvendo a ocupação, a Usina solicitou a reintegração de posse contra os/as trabalhadores/as rurais sem-terra acampados/as no local. No entanto, em 16 de julho de 2019, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) anulou, por unanimidade (três votos a zero), a sentença que determinava a reintegração de posse do Acampamento Leonir Orback, o qual na época já abrigava cerca de 600 famílias. Os votos foram proferidos pelos desembargadores Carlos Alberto França, relator do caso; Reinaldo Ferreira e Fábio Cristóvão de Campos Faria (Ferreira, 2019).
Além de cancelar a decisão de primeira instância emitida pela Comarca de Santa Helena, o TJGO ordenou a reabertura da fase de provas, determinando a realização de novas oitivas de testemunhas, perícias e outras diligências. Com essa anulação, considerada incomum em casos de reintegração de posse, a sentença do juiz Thiago Brandão Boghi foi invalidada. A Usina, por sua vez, ficou restrita a apresentar recursos para contestar o julgamento (Ferreira, 2019).
Contudo, mesmo após o cancelamento da reintegração de posse, em novembro de 2020, o juiz Thiago Brandão Boghi, em desacordo com os procedimentos processuais, decidiu pela desocupação das famílias do acampamento em um prazo de 48 horas. O MST (2020) denunciou que esse mesmo juiz foi responsável, em 2015, por tentar criminalizar o movimento em Goiás, ao classificá-lo como organização criminosa.
Em 8 de julho de 2020, Boghi autorizou uma megaoperação no Acampamento Leonir Orback marcada por extrema truculência, uso de armas letais e violações das residências familiares, incluindo ameaças de despejo. Ele afirmou: “Aquele latifúndio jamais seria destinado à reforma agrária” (CPT, 2020).
Conforme a Comissão Pastoral da Terra, apesar de toda essa repressão e das ameaças constantes, a resistência das famílias no Acampamento Leonir Orback tornou-se um exemplo de luta e resiliência. O acampamento se consolidou como uma referência regional na produção de alimentos agroecológicos, destacando-se pela capacidade produtiva e pela força de sua organização comunitária.
Sua história foi registrada no documentário “Chão”, dirigido por Camila Freitas, que oferece um retrato sensível do cotidiano dos acampados e da conexão profunda com a terra que reivindicam, disputam e cultivam (Brasil de Fato, 2019). Mesmo diante das incertezas quanto à conquista do direito à terra, o filme revela como os ocupantes se mobilizam, plantam, cuidam e projetam seus sonhos no solo onde esperam ser assentados (Martins et al., 2022). O trailer de “Chão” pode ser visto em: https://shre.ink/MVXu.
A dedicação à agroecologia é também evidenciada pelo trabalho coletivo realizado no início de 2020, quando os camponeses cultivaram mais de 10 mil mudas de espécies nativas do Cerrado. Entre as espécies cultivadas estão baru, ipê, jatobá, pequi e outras árvores frutíferas características do Cerrado, o bioma predominante na região Centro-Oeste. Esse esforço teve como objetivo recuperar áreas de reflorestamento e nascentes destruídas pelos incêndios ocorridos em setembro de 2019, reafirmando o compromisso do acampamento com a sustentabilidade ambiental (MST, 2020).
A ação faz parte do Plano Nacional do MST “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, que tem como intuito proporcionar a plantação de 100 milhões de árvores em um período de 10 anos. Conforme Vitória Prado, da direção estadual do MST-GO, o Plano Nacional é tão importante quanto a produção de alimentos saudáveis: “O Plano e a produção de alimentos estão ligados intimamente, pois sem a natureza não há agroecologia, não há vida” (Ferreira, 2020).
“Nós trabalhamos a agricultura familiar na agroecologia. O movimento sempre prega isso e é uma resistência ativa que o movimento traz em nível nacional e estadual sobre produção agroecológica. Aqui pra nós a questão de produzir agroecológico e orgânico é impossível por causa desse avião que passa toda hora jogando veneno. Então nós tentamos trabalhar aqui pensando coletivamente a importância de produzir sem agrotóxico. Mas acontece que alguns companheiros fogem dessa linha um pouco. Mas temos que trabalhar isso, sobre essa questão do dessecante. Algumas barreiras ainda têm que ser quebradas nessa questão. Nós trabalhamos pra evitar isso, pra não usar agrotóxicos” (Fala de um acampado do Acampamento Leonir Orback, 2021 apud Fernandes et. al. 2022).
Em 4 de fevereiro de 2023, a comunidade realizou a 6ª edição da Festa da Pamonha, celebrando a cultura camponesa goiana com a distribuição gratuita de 7 mil pamonhas para moradores e visitantes. Além disso, foram servidos outros pratos típicos da culinária goiana, como chica-doida (um tipo de pamonha assada, recheada e temperada), curau, bolo de milho e milho assado. Todo o milho utilizado no evento foi colhido das lavouras comunitárias, cultivadas de acordo com os princípios da produção agroecológica adotados pelo acampamento (CPT Góias, 2023).
No contexto vivenciado pelo acampamento, manter sua produção agroecológica além da luta pelo acesso à terra, assim, se tornou outro desafio para os acampados e acampadas. Desde o início da ocupação, buscam desenvolver práticas agroecológicas em parte de suas produções pensando tanto no consumo familiar quanto para alimentos a serem comercializados (Fernandes et al., 2022).
Apesar do compromisso com a produção agroecológica, as famílias do Acampamento Leonir Orback enfrentam desafios significativos devido ao contexto agrícola do entorno. A presença de grandes lavouras de soja e cana-de-açúcar, que utilizam práticas convencionais intensivas no uso de fertilizantes químicos e agrotóxicos, representa uma ameaça direta às suas iniciativas sustentáveis. Essas monoculturas frequentemente realizam pulverizações em larga escala, tanto por meio de tratores quanto por aeronaves, resultando na deriva de inseticidas e herbicidas para as áreas cultivadas pelo acampamento (Fernandes et al., 2022).
Essa contaminação involuntária compromete a qualidade do solo, da água e do ar, além de colocar em risco a saúde das famílias e a integridade dos alimentos produzidos. Além disso, o conflito entre os dois modelos de produção – o agroecológico e o convencional – evidencia o impacto da concentração fundiária e do modelo de agronegócio predominante na região, que prioriza altos rendimentos econômicos em detrimento da sustentabilidade ambiental e da saúde coletiva (Fernandes et al., 2022).
Apesar dessas adversidades, as famílias continuam a buscar estratégias para mitigar os impactos, como a adoção de barreiras vegetais, o fortalecimento do manejo agroecológico e a denúncia pública das práticas de pulverização indiscriminada. No entanto, a persistência desses desafios ressalta a urgência de políticas públicas que protejam iniciativas agroecológicas e assegurem o direito das comunidades camponesas a viver e produzir em um ambiente saudável e livre de contaminações externas (Fernandes et al., 2022).
Como rede de apoio, o Acampamento Leonir Orback possui uma parceria com o Instituto Federal Goiano (IFG) de Rio Verde, que promove oficinas sobre práticas agroecológicas. Durante esses treinamentos, os acampados aprendem a produzir compostagem, biofertilizantes, insumos e defensivos naturais de forma sustentável (Fernandes et al., 2022).
O cultivo ecológico assegura a qualidade dos alimentos e a preservação da saúde do solo e das águas do território. Paralelamente, as famílias promovem ações de conservação ambiental, como o reflorestamento e a prevenção de incêndios, evidenciando seu compromisso com a sustentabilidade (CPT Góias, 2023).

Em 26 de novembro de 2024, o Acampamento Leonir Orback foi palco da Missão Territorial da “Jornada Contra os Agrotóxicos e em Defesa da Vida em Goiás”, mobilizada para apresentação de resultados de pesquisa e do contexto do acampamento pela Equipe do Laboratório de Mutagênese da Universidade Federal de Goiás (Labmut/UFG) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O encontro reuniu moradores, pesquisadores, ativistas e jornalistas para debater os efeitos dos agrotóxicos na vida das famílias da região (Silva, 2024).
Entre as atividades programadas, destacou-se a roda de conversa intitulada “Impactos dos Agrotóxicos nas Comunidades Rurais”, que contou com a participação de famílias de outras localidades do estado que enfrentam desafios semelhantes aos do acampamento. Para os moradores do Leonir Orback, o evento foi mais do que um momento de troca de conhecimentos; representou também a oportunidade de receber o retorno de pesquisas realizadas por especialistas de diversas instituições (Labmut/UFG e Fiocruz), utilizando materiais coletados diretamente na comunidade (Silva, 2024).
A iniciativa teve grande importância para os moradores do acampamento ao dar visibilidade às suas denúncias sobre os impactos do uso intensivo de agrotóxicos nas lavouras vizinhas, problemática que enfrentam há anos e que afeta diretamente sua saúde e qualidade de vida. Além de oferecer um espaço de aprendizado e troca de experiências, o evento contribuiu para fortalecer alianças entre comunidades e instituições, ampliando a mobilização em torno da defesa de um modelo agrícola mais sustentável, saudável e comprometido com a justiça social e ambiental (Silva, 2024).
Durante o evento, foram divulgados os resultados de uma pesquisa realizada pela Fiocruz, que analisou amostras de água coletadas em 2022 no Acampamento Leonir Orback. O estudo coordenado por Fernanda Savicki identificou a presença de cinco agrotóxicos, entre eles substâncias altamente tóxicas, como Glifosato, 2,4-D e Etofenprox, além de compostos banidos na União Europeia, como Atrazina e Fipronil.
Essas substâncias estão associadas a graves problemas de saúde, incluindo o desenvolvimento de câncer e a desregulação do sistema endócrino, o que deveria subsidiar políticas de restrições ao seu uso. No entanto, a legislação brasileira permite níveis desses químicos na água que excedem os limites considerados aceitáveis, evidenciando uma disparidade nos padrões de proteção ambiental e de saúde pública (Silva, 2024), bem como o exercício de prática considerada como duplo padrão que as empresas produtoras das substâncias realizam como estratégia de vender o mesmo produto com ingredientes diferentes de acordo com o país.
Durante a roda de conversa, foram apresentados resultados preliminares de uma pesquisa conduzida pela equipe do Labmut/UFG sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde dos moradores do Acampamento Leonir Orback. A análise de material genético de 43 participantes identificou quebras de DNA associadas à exposição indireta a agroquímicos, embora a menor intensidade de pulverização no período da coleta possa ter influenciado os dados.
Além disso, exames de colinesterase realizados como parte do estudo apontaram possíveis casos de intoxicação em quatro moradores. Os pesquisadores destacaram a importância de realizar novas coletas em diferentes épocas do ano para obter resultados mais precisos e compreender melhor os efeitos dos agrotóxicos na saúde da comunidade (Silva, 2024).
De acordo com estudos citados pela portaria Nº 79, de 14 de dezembro de 2018, as alterações nas taxas de colinesterase estão associadas a diversos impactos na saúde humana, que variam conforme o tipo de enzima afetada (plasmática ou eritrocitária) e a direção da alteração (diminuição ou aumento).
Os agrotóxicos classificados como inibidores de colinesterase, dos quais fazem parte organofosforados e carbamatos, constituem um grupo de substâncias amplamente utilizadas como inseticidas, nematicidas, larvicidas e acaricidas sistêmicos ou para controle de pragas na agropecuária, desinsetização urbana e doméstica, além de controle de vetores.
A exposição a pesticidas organofosforados pode causar sintomas agudos como convulsões, diarreia, dores de cabeça, fraqueza muscular, náuseas, salivação excessiva, tremores, vômitos e, em casos graves, insuficiência cardíaca ou respiratória (Brasil, 2018). As discussões realizadas durante a Roda de Conversa ressaltaram a gravidade das violações de direitos causadas pelo uso indiscriminado de agrotóxicos e a urgência de enfrentá-las.
Roberta Quirino, representante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, destacou a necessidade de criar áreas livres de agroquímicos, como já ocorre em algumas regiões do Rio Grande do Sul, além de defender o banimento de substâncias tóxicas que já foram proibidas em outros países, mas seguem amplamente utilizadas no Brasil (Silva, 2024).
Gerailton Ferreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT Goiás), enfatizou o impacto devastador do modelo de produção baseado em agrotóxicos, que compromete o solo, a água e o ar, e afeta profundamente as relações humanas, gerando desigualdade e vulnerabilidades sociais. Ele destacou que enfrentar esse cenário exige organização coletiva e ações articuladas entre diferentes setores da sociedade (Silva, 2024).
Dando continuidade ao debate, no dia seguinte, a Jornada promoveu uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) reunindo membros da sociedade civil, pesquisadores, ativistas e parlamentares para discutir os impactos dos agrotóxicos. O evento buscou ampliar a visibilidade do tema e estimular a formulação de políticas públicas que priorizem a saúde das comunidades rurais e a preservação ambiental (Silva, 2024).
Como visto, no acampamento Leonir Orback, cercado por monoculturas do agronegócio, o impacto dos agrotóxicos é devastador. Apesar de não utilizarem venenos, os moradores enfrentam seus efeitos diariamente.
Pulverizações em plantações vizinhas destroem hortas comunitárias e contaminam os cultivos: “Aqui você planta alface, tá o trem mais lindo. Quando eles começam a jogar veneno, no outro dia você olha e dá vontade de chorar”, lamenta Maria Rodrigues dos Santos, uma das acampadas (Mathias, 2025).
Conforme publicado por Maíra Mathias (2025), apesar de a legislação prever restrições para a aplicação de agrotóxicos em áreas próximas a moradias e concentrações de pessoas, na prática, essas regras são frequentemente ignoradas. Normas federais estabelecem distâncias mínimas para pulverização aérea (250 a 500 metros) e por drones (apenas 20 metros), enquanto a pulverização terrestre depende da regulamentação estadual – que em muitos casos, simplesmente não existe.
Em Goiás, onde há legislação específica, a aplicação terrestre de agrotóxicos perto de residências do acampamento é considerada infração gravíssima. No entanto, a fiscalização é falha, e os moradores do Leonir Orback relatam que nunca houve autuações na área, apesar das constantes pulverizações que afetam sua saúde e cultivos (Mathias, 2025).
Diante das denúncias de contaminação por agrotóxicos no acampamento Leonir Orback, os órgãos estaduais apresentaram respostas que contrastam com a realidade relatada pelos moradores. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Serma) não se pronunciou, enquanto a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) afirmou que há fiscalização na região e orientou os acampados a notificarem casos de irregularidades (Mathias, 2025).
Já a Secretaria Estadual de Saúde (SES/GO) alegou priorizar o município de Santa Helena em relação aos agrotóxicos, e mencionou um suposto diálogo com a Agrodefesa e os produtores rurais para estabelecer limites de pulverização. No entanto, lideranças do acampamento e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) desmentem essa articulação, e denunciam a ausência de fiscalização efetiva. Segundo os moradores, a única inspeção recebida foi para verificar a alimentação dos porcos, enquanto a contaminação por agrotóxicos segue sem controle (Mathias, 2025).
De acordo com a referida publicação, as pulverizações de agrotóxicos seguem intensas no acampamento Leonir Orback, expondo os moradores a riscos constantes. Em vídeos recentes, acampados registraram tratores aplicando veneno próximos às moradias, além de aviões sobrevoando a área, despejando agrotóxicos. A sensação de desamparo é evidente: “Não estão nem aí para nós. Querem matar nós de veneno”, denuncia uma moradora (Mathias, 2025).
Os impactos são sentidos até na rotina básica, como na água utilizada para banho e consumo. Moradores relatam irritações na pele e sensação de sujeira persistente após o banho, suspeitando da contaminação da água. Sem alternativas, precisam lavar roupas e regar plantações com a mesma água (Mathias, 2025).
Além dos danos diretos, há indícios de que as pulverizações sejam usadas como forma de pressão contra os acampados, dificultando sua permanência e produção. Para o advogado Emiliano Maldonado, a proximidade dos monocultivos não é coincidência, mas parte de uma disputa territorial que pode inviabilizar a vida das famílias no local (Mathias, 2025).
Atualização: março 2025
Cronologia
31 de Julho de 2016 – Cerca de 400 familias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra organizam o Acampamento Leonir Orback e ocupam a então chamada “Fazenda Ouro Branco”, uma área sob posse da Usina Santa Helena de Açúcar e Álcool S/A, em processo de recuperação judicial.
2016 – O Grupo Noum, responsável pela gestão da Usina Santa Helena, entra com ação de reintegração de posse contra os trabalhadores rurais sem terra acampados na área.
2017 – O juiz de primeira instância da cidade de Santa Helena, Thiago Boghi, aprova o processo de recuperação da Usina Santa Helena, determinando que as terras sejam devolvidas aos usineiros. Esses, por sua vez, recebem um prazo de dez anos para quitar as dívidas acumuladas.
2017 – Em uma ação de execução fiscal movida na Justiça Federal em Anápolis, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) requere a adjudicação das terras da Usina, com a finalidade de destiná-las ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para fins de reforma agrária.
Agosto de 2017 – A Usina entra com recurso contra a execução. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao avaliar o caso, anula a decisão, afirmando que a competência para deliberar sobre a questão cabe ao juiz responsável pelo processo de recuperação judicial, na esfera judicial estadual.
9 de Junho de 2019 – Estreia nacional do filme “Chão”, dirigido por Camila Freitas, que conta a história do acampamento Leonir Orback.
16 de julho de 2019 – A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) cancela, por três votos a zero, a sentença que ordena a reintegração de posse do acampamento Leonir Orback – Os votos são proferidos pelos desembargadores Carlos Alberto França, relator do caso, Reinaldo Ferreira e Fábio Cristóvão de Campos Faria.
2020 – É decretada a falência da Usina Santa Helena, pois a empresa não cumpriu com o que fora acordado judicialmente com seus credores.
2020 – Durante a pandemia de covid-19, a produção coletiva do acampamento Leonir Orback é intensificada para garantir segurança alimentar da comunidade e ampliar o alcance das ações solidárias. Nesse período, mais de uma tonelada de alimentos é doada às periferias de Santa Helena, fortalecendo os laços de solidariedade entre o acampamento e outras comunidades.
4 de fevereiro de 2023 – A comunidade do acampamento realiza a 6ª edição da Festa da Pamonha, celebrando a cultura camponesa goiana com a distribuição gratuita de 7 mil pamonhas para moradores e visitantes. Além disso, são servidos outros pratos típicos, como chica-doida, curau, bolo de milho e milho assado.
26 de novembro de 2024 – O Acampamento Leonir Orback sedia a Missão Territorial da “Jornada Contra os Agrotóxicos e em Defesa da Vida em Goiás”. O evento reúne moradores, pesquisadores, ativistas e jornalistas em um debate sobre os impactos dos agrotóxicos na vida das famílias da região.
Fontes
ACAMPAMENTO Leonir Orback é referência em produção de alimentos agroecológicos na região de Santa Helena de Goiás. CPT Goiás, 11 fev. 2023. Disponível: https://shre.ink/bjNG. Acesso em 10 jan. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Portaria nº 79, de 14 de dezembro de 2018. Torna pública a decisão de aprovar as Diretrizes Brasileiras para diagnóstico e tratamento das intoxicações por agrotóxicos – capítulo 2, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 17 dez. 2018. Disponível em: https://shre.ink/MVy9. Acesso em: 13 mar. 2025.
BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Goiás. 2019. Disponível em: https://shre.ink/bjJJ. Acesso em: 15 jan. 2025.
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